2006
10.22

Conforme votação aberta em http://wiki.ubuntubrasil.org/FestaEdgyRJ foram selecionados o local, data e hora para a comemoração da chegada da salamandra (Edgy Eft), a próxima versão do Ubuntu a ser lançada nessa semana. Confira os dados:

Local: Pizza & Grill Largo do Machado (ao lado do metrô)
Data: 27/10/06 (sexta-feira)

Hora: 19h

São todos bem-vindos. Quem usa Ubuntu, quem não usa, quem quer conhecer mais sobre o Software Livre e GNU e quer ter uma prosa franca ao vivo com quem usa. Tragam esposas, amantes, filhos, sogras, colegas de trabalho, todos para confraternizarmos e comemorarmos uma nova versão do Ubuntu.

O local escolhido é um rodízio de pizza bastante inusitado, com mais de 180 sabores incluindo alguns assustadores como pizza de sushi ou pizza de bobó de camarão, além é claro, de sabores tradicionais como calabresa. Também servem refrigerantes em 2L para dilatar bem o estômago e encher a pança de forma bem econômica. Afinal, dieta se começa na segunda-feira, não sexta, no dia da festa.

Espero encontrar vocês lá. Não se acanhem, ninguém se conhece bem. Colocarei CDs do ShipIt empilhados na mesa para fácil identificação. Ah, se alguém que use Fedora e OpenSUSE puder ir eu agradeço. Depois do último evento de SL que fui me interessei pelos projetos e gostaria de conhecer melhor.

Para outras cidades, verifique as datas/horas/locais de comemoração clicando aqui.

2006
10.15

A fila é uma instituição brasileira. A qualquer lugar que se vá, corremos o risco de sermos enfileirados. Seja pela má qualidade dos serviços (públicos e privados) prestados, seja pela aglomeração das metrópoles ou pelas simples incompetência de quem está do outro lado do balcão, a única certeza é que teremos fila.

Não precisa de pedido, placa ou lei: a fila se formará sozinha. Mas como isso entrou em nosso inconsciente ? Como diria Buarque: pela educação.

Existem duas formas básicas de educar: a formal e a informal. A formal é a mais conhecida, se realiza de forma intencional e orientada. Ocorre quando um professor ensina uma matéria ou uma mãe ensina ao filho pela primeira vez a usar o microondas. São instruções passadas de forma clara e objetiva. Já a informal se dá quase que por acidente, sem intenção. Ela ocorre pelo exemplo.

Qualquer criança que acompanha os pais cotidianamente verá várias vezes filas se formarem e permanecerá nelas, em seu lugar até chegar sua vez. Quando os pais respeitam filas e levam seus filhos a elas, sem dizer qualquer palavra, passam uma forte mensagem sobre como nossa sociedade funciona e sobre como devemos nos portar em situações como aquela. E na primeira situação que a criança sozinha se ver aglomerada, irá instintivamente enfileirar-se como aprendeu informalmente.

Nossa comunidade é ineficaz em educar nessas duas formas. Formalmente, faltam documentos wikis, vídeos e podcasts sobre os valores de nossa comunidade. Sobre que liberdade é essa do ‘Software Livre’ e que comportamento se deve ter dentro da comunidade.

Quem vem do Software Proprietário tem uma série de hábitos e valores que precisam ser perdidos. Eles costumeiramente se enxergam como usuários isolados, se relacionam no máximo com a empresa que desenvolve o software e não compartilham o conhecimento. Situação diametralmente oposta a de quem usa Software Livre, que mais que um usuário, é membro de uma comunidade, se relaciona com os demais e compartilha conhecimento.

Para se relacionar com outros membros da comunidade, para socializar, é necessário uma etiqueta básica. Pune-se com rigor quem se desvia dela, assim como furar fila pode virar caso de polícia. Mas pouco se esclarece sobre o ethos e a etiqueta de nossa comunidade. Precisamos escancarar que aqui não são bem-vindos palavrões, ofensas, flame wars etc, que sempre se deve dizer a fonte e dar os devidos créditos dos materiais, usar por favor/obrigado/de nada e por aí vai. Assim nosso novo linuxer terá trânsito livre em IRC, fórums, wikis etc sem quaisquer transtornos.

Agora quanto a educação informal, temos que nos policiar. O Yuri Malheiros deu no planeta.gnulinuxbrasil.org a excelente dica do Scribes, um editor de texto para programação. Mas os mantenedores desse software fizeram uma apresentação em flash do software. Ou, por exemplo, muitos podcasts por aí sobre Software Livre que são distribuídos apenas em mp3. Não teria aí uma incoerência ? Usar o SL para falar de SL é um reforço a sua ideologia e a clara demonstração que ele atende as exigências modernas da computação. Nos falta também uma maior paciência e benevolência com os usuários que requerem suporte. Já passou da hora de abolirmos o RTFM.

Quando a educação formal e informal falham os resultados são desastrosos. Me dá asco só de lembrar de um episódio ocorrido no #ubuntu-br há algumas madrugadas atrás. Um rapaz engajado com o Ubuntu dizia que, pelo fato de seu trabalho junto a distribuição ser voluntário, ele era isento de qualquer responsabilidade ou compromisso com qualidade, de que ele faria o que quisesse quando desse na telha e ai de quem discordasse. Essa confusão dele entre ‘Software Livre’ e ‘Software de Libertinagem‘ é uma clara demonstração que houve uma falha na transmissão de valores.

Fico imaginando o que seria de nós se voluntários em hospitais, orfanatos e asilos pensassem assim. Mais que uma falha na passagem de valores de nossa comunidade para esse rapaz, é uma falha de caráter. Pelo menos entendo que é inseparável em mim a vontade de fazer as coisas bem feitas, de dar o melhor de mim pois as pessoas o merecem e mereço receber de volta o melhor delas. Esse rapaz não é caso isolado… na comunidade do Ubuntu Brasil tem sido recorrente a interpretação que o engajamento com Software Livre é fazer ‘o que quiser, se quiser, quando quiser e da forma que achar melhor‘.

Não basta abrirmos uma porta para que entrem no Software Livre. Temos que dar a cada um um lugar a mesa e munir eles da postura e etiqueta correta para que se sirvam e nos sirvam, mantendo a sustentabilidade ecológica de nossa comunidade.

2006
10.06

É arriscado escrever sobre isso no calor do momento, enquanto a comunidade brasileira está incendiada por esse assunto. Mas tenho que cumprir meu dever como colunista nesse site e tentar trazer algumas questões sobre o que podemos chamar de ‘incidente trágico’, televisionado na Globo hoje.

Sérgio Amadeu e Júlio Neves são nomes auto-explicativos na comunidade brasileira e dispensam apresentação. Assim como o Jô Soares que dispensa currículo: notório castrador de entrevistas. A sensação ruim que ficou depois da entrevista (curiosamente curta) não é raridade: muitos entrevistados já sairam daquele sofá mal compreendidos e muitas vezes negativamente expostos.

Primeiramente, temos que dar os devidos descontos a situação. Estar sentado naquela primeira fileira e de repente ouvir seu nome, com a banda começando a tocar e a platéia aplaudir deve dar um revertério nas tripas de embaralhar as idéias. É difícil falar sob tamanha tensão e responsabilidade. E o tiro saiu pela culatra.

Falar sobre ‘Software Livre’ para um público que mal sabe o que é ‘Software’ é uma tarefa árdua que exige palavras bem escolhidas e na medida certa, o que é difícil quando se é sempre interrompido pelo Jô Soares. Eu já comecei a bater com a palma da mão na testa quando o Jô começou a subverter a questão do livre versus gratuito e de ter plantado a semente da desconfiança de que o SL é uma armadilha comercial, assim como os empestiantes CDs da UOL e AOL que contemplavam como brinde um contrato e uma mensalidade à pagar.

Também o Amadeu foi muito infeliz (beirando o desgraçado, com todo o respeito se for possível) com os exemplos que deu. Ao falar que a Google usa Apache, e que Apache é Software Livre, Jô Soares fez a célebre pergunta ‘Então eu posso mudar o Google ?’ que foi respondida sonoramente como um ‘não’. Para um olhar leigo, os entrevistados foram jogados em contradição.

Resumo da ópera: quem nunca tinha ouvido falar em Software Livre agora não só sabe que ele existe e pior: tem idéias obscuras sobre ele. A Schincariol sabe muito bem o que é sofrer rejeição de quem sequer atende ao ‘Experimenta ! Experimenta ! Experimenta !‘… é catastrófico.

O que deveria ter sido dito naquela entrevista é o quão tecnologicamente o Software Livre é superior e como ele é uma boa alternativa para as pessoas em casa que são reféns de vírus, instabilidade e quebra de privacidade. Enfatizar que é um movimento social, que é ganhar controle do computador, que é economia com licenças e patentes, enfim, por aí vai.

No IRC, muitos clamaram por uma nova entrevisa, por uma ‘reparação de danos‘. Garanto que isso não ocorrerá. O Programa do Jô é muito avesso a ‘revival’ de assuntos. Vão levar anos para falar em SL denovo e isso é, se forem falar denovo. Não acho que bombardear de e-mails raivos o jo@globo.com irá surtir algum efeito.

O que acho que seria produtivo é uma contra-proposta, ou uma contra-entrevista. Me disseram que a entrevista durou cerca de 14 minutos. Que tal fazermos em áudio (ou até em vídeo) uma entrevista de mesma duração, com cenário parecido, roupas parecidas, um entrevistador gordo na plena qualidade de produção Hermes & Renato, talvez até com perguntas parecidas, em que as respostas são esclarecedoras e positivas quanto ao MOVIMENTO SOCIAL (e não armadilha econômica) chamada Software Livre ?
Quanto mais cômico for o vídeo, mais temos chances de embarcar no tal do marketing viral, ao ponto de ter pessoas mandando o vídeo em anexos por forward em e-mails, nicks de MSN e outras horrendices virtuais e fazer com que nossa mensagem atinja um número de pessoas tão abrangente quanto o incidente trágico televisionado hoje.

Alguém se candidata ?

2006
10.05

 

O pacote do ntfs-3g já está disponível nos repositório Universe do Edgy. Agora será bem mais simples para os usuários que ainda permanecem com dual boot ter permissão de escrita em suas partições NTFS.

O uso do ntfs-3g é bem estável e seguro a que tudo indica. Mas, não é perfeito. Vi num blog de um rapaz que fez alguns stress tests e alguns arquivos maiores que 4gb corromperam. Então fica a dica de evitar gravar arquivos nessa grandeza. Essa novidade é um passo importante pois aproxima mais o Ubuntu das soluções ‘out of the box’. Creio eu que o que falta para que o ntfs-3g entre no main e até venha junto no LiveCD é uma maturidade maior do projeto e do código fonte. Atingindo-se isso, é um sério candidato a ser incorporado no Ubuntu por padrão.