Archive for the 'Educação' Category

Uma lição de vida em 36 segundos: cookies & amor

Thursday, July 3rd, 2008

Mãe: Me diz o que você acabou de dizer.
Filho: Eu gosto de você quando você me dá biscoitos.
Mãe: Você gosta de mim quando eu te dou biscoitos mas, você gosta de mim o tempo todo ?
Filho: Não… mas eu gosto de você apenas quando posso ter biscoitos. Então, o que quero dizer…
Mãe: Ah, então só quando te dou biscoitos você gosta de mim ?
Filho: Sim.
Mãe: Ah, ok. Eu te amo…
Filho: Eu… eu amo você também mas não gosto de você o tempo todo
Mãe: Ah, ok. Obrigada

O vídeo fala por si mas, as vezes custa nada resumir: nós podemos amar as pessoas e as coisas mas, isso não significa que gostemos delas o tempo todo nem que as amamos menos por isso.

Em resposta ao Oheremita: pensando sobre o ato de estudar

Saturday, September 8th, 2007

Este post é uma resposta a outro post escrito por Oheremita em seu blog em julho deste ano. Nele, Oheremita nota algo que usualmente deixamos escapar: lembramos com detalhes de muitos filmes que já vimos, até os que não gostamos. Mas dificilmente lembramos do conteúdo que aprendemos na escola, as vezes, a até a matéria que foi vista essa semana. E conclui dizendo:

Hoje temos a “tecnologia”, efeitos especiais, podemos criar dinossauros como se fossem de verdade, naves espaciais, mundos imaginários, gerras cataclísmicas (…). Penso que se usarmos nossa capacidade e transformarmos nossa escola, de inspetora para orientadora, e a tecnologia das artes cênicas, mais notadamente o cinema, para ensinar aos nossos filhos, poderemos dar mais um passo rumo a uma civilização…

Realmente, hoje a escola parece mais inspecionar do que orientar. É que o mundo mudou muito mais rápido do que ela consegue entender e nesse descompasso quem mais perde é o professor e o aluno. Mas não foi a escola que, de repente, se tornou desinteressante. Foi o mundo que passou a ser muito mais interessante que a escola.

O professor hoje raramente dispõe mais do que 5 cores de giz para utilizar no quadro negro enquanto o aluno tem no bolso da calça um display LCD da ordem de milhões de cores acoplado em um celular repleto de jogos. Um mero prato de arroz, feijão e bife tem muito menos sabor do que os biscoitos ultravitaminados, hipercoloridos que explodem na boca, deixam a língua azul e ainda com direito a brinquedinho novo no final. Tanto os professores como os pais cairam numa luta desleal contra a parafernália atual que desvia a atenção de nossos jovens e os viciam. Vício ? Sim, vício por estímulo.

Veja como os sentidos da geração que hoje freqüenta a escola é bombardeada. No visual, quase tudo ou pisca ou brilha no escuro. Na audição, os mp3 players, os toques de celular, o surround na TV em casa. No tato os diversos tecidos, texturas, cama de mola, os infláveis, os emborrachados (e indestrutíveis). No paladar os biscoitos ultravitaminados, os refrigerantes, iogurtes. No olfato os perfumes, tanto as colônias para passar no corpo como também no cheiro artificial dos brinquedos. E raramente os sentidos são estimulados sozinhos: pense no quão forte é o gosto e o cheiro de um pacote de Cheetos, como são barulhentos e piscantes os brinquedos de camelô ou ainda os controles de videogame que tremem quando algo acontece na tela.

Nossos jovens são viciados em estímulos. Não me excluo disso: também sou. Estamos tão acostumado a ter nossos sentidos estimulados que poucas quantidades de estímulos são desinteressantes ou entediantes. É assim que o joguinho de celular é mais interessante que uma aula de Biologia. É assim que um pacote de Trakinas é mais interessante que o arroz e feijão.

Resta então uma dúvida cruel para a escola: como combater o desinteresse dos alunos ? Combatendo o vício dos estímulos, fazendo-os desacelerar o ritmo louco que vivemos hoje e tentando proporcionar a eles uma vida mais pacata (e até saudável) ou tornar o espaço da sala de aula também hiperestimulante para fisgar os alunos ? Me parece que a maioria tem optado por combater fogo com fogo: entrando na era do hiperestímulo.

Quem deslancha na ponta, como era de se esperar, é a rede privada não-tradicional. Cursos de inglês, por exemplo, já têm em redes inteiras datashow e computador em cada sala de aula, onde as aulas são ministradas com recursos multimídia do computador, permitindo interatividade sob o acompanhamento de um professor. Aos poucos também as escolas regulares estão entrando nessa onda, principalmente com a disseminação dos ‘Colégios e Cursos‘, pois, por terem uma cultura de pré-vestibular, trazem o perfil do professor showman, que usa microfone, que ensina coreografias, danças e músicas para fixação do conteúdo.

Qualquer que seja a abordagem, seja no desacelerar em busca de uma escola mais zen ou numa escola multimídia e jovem, a peça mais importante é o professor. Ele precisa ser capacitado para ambas abordagens e no caso da segunda, ela precisa ser feita com Software Livre.

Afinal, educação em tecnologia sem Software Livre não é educação: é adestramento. No máximo, treinamento. Uma escola que oferece uma formação para a atualidade não pode apenas tratar o computador como um o templo da dupla ‘Editor de texto e impressora‘. Da mesma forma como a escola tem que oferecer um letramento textual, permitindo que o aluno aprenda a ler, escrever, interpretar e se expressar, tem que também oferecer um letramento digital. Desmistificar a tecnologia, o funcionamento da internet, as novas relações humanas, financeiras e intelectuais estabelecidas através da internet e novos os paradigmas de propriedade intelectual. Por acaso existe algo melhor que Software Livre para fazer isso ? Acho que não :D

O erro é mais didático que o acerto, Andréa

Tuesday, August 28th, 2007

Depois que o jornal Estadão cantou de galo sobre a blogosfera tentando semear no público uma desconfiança sobre a inteligência coletiva disseminada pela internet, ficou claro e documentado que a mídia tradicional não consegue compreender os rumos que a atualidade tem apontado na criação, gestão e disseminação da informação além do olhar preconceituoso e pueril que esses veículos lançam sobre estes rumos.

Nessa semana, um artigo publicado no caderno de educação do jornal Folha de São Paulo (em sua versão online) as 12h40min do dia 25/08/2007 confirma o que eu percebia dando palestras em faculdades: a academia, com sua cultura tradicional e erudita é incapaz de compreender o momento da tecnologia da informação que vivemos agora e já começa a tentar defender seus meios e hábitos como um menino arredio. Nesse artigo, sobre o uso de editores de texto em computadores, Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP é entrevistada:

Quem faz texto no Word, por exemplo, tem tudo corrigido automaticamente.” Dessa forma, diz ela, o estudante deixa de prestar atenção em regras básicas da ortografia. “A solução é que as escolas peçam alguns trabalhos escritos à mão, pelo menos nas séries iniciais“, afirma Andréa.

Não. O erro é mais didático que o acerto, Andréa. Quando uma pessoa escreve uma palavra de ortografia incorreta, o computador não corrige o erro magicamente. O usuário é alertado por um grifo pontilhado e vermelho abaixo da palavra e quando se clica com o botão direito sobre ela, o editor sugere uma listas de palavras que parecem a ele mais adequadas para o contexto. Ao ser obrigado a interagir com o programa e selecionar uma palavra mais adequada, o aluno estará aprendendo qual é a ortografia correta da palavra que por impulso ou hábito fonético ele escreveu errado. E mais, algumas palavras que não eram do conhecimento do aluno podem ser exibidas nesta lista, enriquecendo o vocabulário. Essas oportunidades de aprendizagem só acontecem com um editor de texto, dificilmente ocorreriam em meios tradicionais.

De fato, nas séries iniciais é necessário que o letramento ocorra de forma manuscrita. Mas, assim que a criança desenvolver a coordenação motora fina suficiente para que sua expressão escrita seja inteligível a outras pessoas, ela pode ser submetida ao uso de um editor de texto ou a um computador como um todo sem qualquer tipo de prejuízo. Muito pelo contrário, as oportunidades são ampliadas quando esse tipo de prática é feita, como discuti anteriormente. Oportunidades que são facilmente percebidas quando se experimenta uma ferramenta antes de emitir um parecer sobre o uso dela a um jornal em nome de um núcleo de pesquisas de psicologia em informática.

Também não posso deixar de registrar meu desconforto ao ver que o uso de uma marca registrada de um produto é utilizado como sinônimo de editor de texto. É uma boa oportunidade de lembrar que o Word não é a única forma de se escrever, editar e imprimir textos em um computador. As outras alternativas são, do ponto de vista técnico, muito superiores a ele. Recomendo conhecê-las.

Fica aqui o sinal de alerta para a comunidade acadêmica: baixem as armas. Tentem estudar e usufruir do que a tecnologia da informação tem de melhor para ajudar o desenvolvimento do conhecimento. Se a academia continuar apegada aos seus vícios e tradições, ficará à margem das práticas sociais mediadas em ambientes virtuais e por tabela aquém do bendito ‘mercado de trabalho‘ que todo universitário quer atender.

por Kurt Kraut

Socializando o novo usuário

Sunday, October 15th, 2006

A fila é uma instituição brasileira. A qualquer lugar que se vá, corremos o risco de sermos enfileirados. Seja pela má qualidade dos serviços (públicos e privados) prestados, seja pela aglomeração das metrópoles ou pelas simples incompetência de quem está do outro lado do balcão, a única certeza é que teremos fila.

Não precisa de pedido, placa ou lei: a fila se formará sozinha. Mas como isso entrou em nosso inconsciente ? Como diria Buarque: pela educação.

Existem duas formas básicas de educar: a formal e a informal. A formal é a mais conhecida, se realiza de forma intencional e orientada. Ocorre quando um professor ensina uma matéria ou uma mãe ensina ao filho pela primeira vez a usar o microondas. São instruções passadas de forma clara e objetiva. Já a informal se dá quase que por acidente, sem intenção. Ela ocorre pelo exemplo.

Qualquer criança que acompanha os pais cotidianamente verá várias vezes filas se formarem e permanecerá nelas, em seu lugar até chegar sua vez. Quando os pais respeitam filas e levam seus filhos a elas, sem dizer qualquer palavra, passam uma forte mensagem sobre como nossa sociedade funciona e sobre como devemos nos portar em situações como aquela. E na primeira situação que a criança sozinha se ver aglomerada, irá instintivamente enfileirar-se como aprendeu informalmente.

Nossa comunidade é ineficaz em educar nessas duas formas. Formalmente, faltam documentos wikis, vídeos e podcasts sobre os valores de nossa comunidade. Sobre que liberdade é essa do ‘Software Livre’ e que comportamento se deve ter dentro da comunidade.

Quem vem do Software Proprietário tem uma série de hábitos e valores que precisam ser perdidos. Eles costumeiramente se enxergam como usuários isolados, se relacionam no máximo com a empresa que desenvolve o software e não compartilham o conhecimento. Situação diametralmente oposta a de quem usa Software Livre, que mais que um usuário, é membro de uma comunidade, se relaciona com os demais e compartilha conhecimento.

Para se relacionar com outros membros da comunidade, para socializar, é necessário uma etiqueta básica. Pune-se com rigor quem se desvia dela, assim como furar fila pode virar caso de polícia. Mas pouco se esclarece sobre o ethos e a etiqueta de nossa comunidade. Precisamos escancarar que aqui não são bem-vindos palavrões, ofensas, flame wars etc, que sempre se deve dizer a fonte e dar os devidos créditos dos materiais, usar por favor/obrigado/de nada e por aí vai. Assim nosso novo linuxer terá trânsito livre em IRC, fórums, wikis etc sem quaisquer transtornos.

Agora quanto a educação informal, temos que nos policiar. O Yuri Malheiros deu no planeta.gnulinuxbrasil.org a excelente dica do Scribes, um editor de texto para programação. Mas os mantenedores desse software fizeram uma apresentação em flash do software. Ou, por exemplo, muitos podcasts por aí sobre Software Livre que são distribuídos apenas em mp3. Não teria aí uma incoerência ? Usar o SL para falar de SL é um reforço a sua ideologia e a clara demonstração que ele atende as exigências modernas da computação. Nos falta também uma maior paciência e benevolência com os usuários que requerem suporte. Já passou da hora de abolirmos o RTFM.

Quando a educação formal e informal falham os resultados são desastrosos. Me dá asco só de lembrar de um episódio ocorrido no #ubuntu-br há algumas madrugadas atrás. Um rapaz engajado com o Ubuntu dizia que, pelo fato de seu trabalho junto a distribuição ser voluntário, ele era isento de qualquer responsabilidade ou compromisso com qualidade, de que ele faria o que quisesse quando desse na telha e ai de quem discordasse. Essa confusão dele entre ‘Software Livre’ e ‘Software de Libertinagem‘ é uma clara demonstração que houve uma falha na transmissão de valores.

Fico imaginando o que seria de nós se voluntários em hospitais, orfanatos e asilos pensassem assim. Mais que uma falha na passagem de valores de nossa comunidade para esse rapaz, é uma falha de caráter. Pelo menos entendo que é inseparável em mim a vontade de fazer as coisas bem feitas, de dar o melhor de mim pois as pessoas o merecem e mereço receber de volta o melhor delas. Esse rapaz não é caso isolado… na comunidade do Ubuntu Brasil tem sido recorrente a interpretação que o engajamento com Software Livre é fazer ‘o que quiser, se quiser, quando quiser e da forma que achar melhor‘.

Não basta abrirmos uma porta para que entrem no Software Livre. Temos que dar a cada um um lugar a mesa e munir eles da postura e etiqueta correta para que se sirvam e nos sirvam, mantendo a sustentabilidade ecológica de nossa comunidade.

Linux e Direção

Thursday, August 10th, 2006

Cockpit de um carro

Lembro-me muito bem do primeiro dia na auto escola. Sentei no banco do motorista e enquanto meu instrutor ia dando orientações gerais, eu ia varrendo o olhar no interior do carro checando as informações que ele ia passando. Depois de ter explicado alguns itens do painel, ele me deu instruções sobre a postura que eu deveria permanecer no carro e o que eu deveria fazer. Até que comecei a notar que:

  • Eu tinha apenas dois olhos, mas tinha que olhar para três espelhos
  • Eu tinha apenas duas pernas, mas tinha que pisar em três pedais.
  • Eu tinha apena duas mãos. mas tinha que segurar o volante com as duas e ainda passar a marcha.
  • Minha primeira conclusão: sou deficiente. Pois faltavam olhos, pernas e mãos para dirigir. Mas rapidamente me lembrei que muita gente dirigia e que se fosse tão difícil e caótico como parecia, não teria tanta gente conduzindo pelas ruas. Tomei coragem e comecei a dirigir. As aulas terminaram, fui aprovado no DETRAN e hoje dirijo perfeitamente, com uma destreza bem superior a minha primeira impressão sobre espelhos, pedais e volantes.

    Ao pousar no Linux e no Ubuntu pela primeira vez, talvez você terá a mesma sensação que tive diante do volante. Sensação de que faltava muito coisa para conduzir aquela máquina. Mas é uma questão de puro condicionamento. O Linux faz tudo que seu sistema operacional anterior fazia. Apenas os menus, botões e configurações se encontram em lugares diferentes, com nomes diferentes, mas nada além da sua capacidade de aprender.

    No início, se começa dirigindo ruim, deixando o carro morrer, pondo em risco outros veículos. Mas progressivamente se aprende a dirigir. Basta querer. Com o Linux é a mesma coisa. Portanto, se você vai experimentar o Ubuntu, coragem, insista. E se você já tem o Ubuntu instalado e ainda mantém o Windows em dual boot, tome coragem ! Remova o Windows ! Só se aprende a dirigir dirigindo.

    Inclusão Digital com Ubuntu (FAG.edu.br)

    Saturday, February 18th, 2006

    Está e uma das várias imagens disponíveis do projeto de Inclusão Digital da Faculdade Assis Gurgacz. Para divulgar o projeto, optei por fazer uma entrevista colaborativa. Convidei os usuários da Lista de Discussão do LoCoTeam Brasileiro para fazerem algumas perguntas sobre o projeto ao Daniel Kühl, um dos responsáveis pelo projeto.
    OgMaciel: Sei que voces devem estar cansados de responder esta pergunta, mas… Qual é o objetivo deste projeto a curto e longo prazo?

    Daniel
    : O objetivo do projeto a curto prazo é levar às pessoas que não tem como ter um curso ou um acesso à internet. A longo prazo é incluir essas pessoas no mundo digital, para elas saberem como usar e o porque usar a tecnologia hoje disponivel e acessivel a elas.

    lucasd: Como surgiu a idéia do ônibus com computadores?

    Daniel: A idéia surgiu do Diretor Geral da faculdade, ele propôs a idéia e nós executamos em conjunto com outra empresa do mesmo grupo, a Eucatur, que cedeu toda a infraestrutura necessária (ônibus, motorista, móveis internos) bem como o acabamento e reforma dos ônibus, já a equipe de informática da Faculdade Assis Gurgacz (FAG) ficou responsável pela configuração e instalação dos computadores, redes e servidores, bem como sua manutenção.

    lucasd
    : Como foi a reação das pessoas ao conhecer o projeto?

    Daniel
    : As pessoas ficam encantadas, elas não acreditam que um projeto como esse era possível de ser feito, e quando informamos que o projeto é para a comunidade eles ficam mais espantados ainda.

    Elton Lima: Como foi produzido o ônibus e como é feito a infraestrutura para a conexão e o acesso?

    Daniel: O ônibus é de uma frota da empresa do mesmo grupo da FAG, a Eucatur, ela ficou encarregada de conseguir os onibus e prepara-los para receber toda a infraestrutura de redes. A conexão das estações com a internet é feita por meio de um Servidor IBM xSeries, que é conectado a internet por meio de ADSL, essa ADSL, foi feito um acordo com a Brasil Telecom de eles fornecerem a internet nos pontos onde o onibus é deslocado, geralmente em feiras de eventos e em escolas. Atualmente não existe restrição para o acesso a internet.

    Magnus: quando ele começa a rodar o brasil?
    Daniel: A princípio o projeto restringe-se a Cascavel /PR e a cidades da região.

    Magnus: vao ser quantos onibus?

    Daniel: Atualmente já estão prontos 4 ônibus, em 2006 serão feitos mais 8 onibus como esses, totalizando 12.

    Elton Lima: Com a meta de realizar a inclusão digital, como é formado o auxilio dos profissionais para o auxilio e o acesso aos computadores, como é feito o controle de acessos?

    Daniel: Os profissionais que fazem o auxílio e o acesso são estagiários do curso de Informática de faculdades da região. O controle de acesso interno ao onibus é feito da seguinte forma: na escolas, fica a direção encarregada de organizar turmas e horários, a prefeitura da cidade cede gentilmente um profissional responsável por ensinar às pessoas. Já quando está em feiras e/ou eventos, o acesso ao onibus é sem restrição, pois o onibus vai esses eventos somente para prover o acesso a internet aos interessados e para mostras mais sobre o projeto, não existe cursos nesses eventos.

    MarioMeyer: Este é um projeto implementado apenas no Brasil? Ou vocês sabem de algum outro projeto similar em outro país?

    Daniel: Sim, já ouvimos e vimos falar, em São Paulo existe um projeto nessa linha, não me lembro o nome.

    Marcelo Mendes: Pelas fotos percebe-se que há muitas crianças, seria esse o público alvo (crianças)? Se sim, existe interesse posteriormente em expandir para atender a jovens e adultos?

    Daniel: O público alvo são todas a idades, na ocasião das fotos uma turma de crianças estava utilizando a infraestrutura do onibus.

    lucasd
    : Quais os futuros planos para projeto? Vocês pretendem colocar mais ônibus, ou passar a circular em outras cidades e estados?

    Daniel
    : Sim, em 2005 foram feitos 4 onibus identicos para o projeto, em 2006 serão feitos mais 8 ônibus. Eles cicularão pela cidade de Cascavel/PR e cidades da região. Não existe planos para outros estados.

    MarioMeyer: Se outras entidades e/ou pessoas estiverem interessadas em ajudar o seu projeto, como devem proceder?

    Daniel: Atualmente esse projeto é feito em parceria com o Governo Federal, pelo Ministérios das Comunicações. Atualmente não há uma forma de contribuição, a não ser com sugestões para o projeto bem como sua divulgação.

    MarioMeyer: Se outras entidades e/ou pessoas desejarem implementar projetos semelhantes, poderiam pedir ajuda à vocês? Este know-how pode ser compartilhado? Se sim, como devem proceder? Quem devem procurar?

    Daniel: Sim, podem pedir. O projeto é para a comunidade. O know-how pode ser e será compartilhado, para pedir essa ajuda, e/ou mais informações sobre o projeto, pode-se entrar em contato com Odirlei Antonio, pelo email odirlei@fag.edu.br e daniel@fag.edu.br

    Marcelo Mendes: Que tipo de abordagem é feita para divulgação do projeto nos locais por onde esse ônibus “livre” passa?

    Daniel: Em escolas, a própria escola/direção fica encarregada disso. Em eventos, ele fica parado num local estratégico com banner explicativos, as pessoas interessadas podem entrar para conhecer.

    KurtKraut: Por que vocês escolheram o Linux e por que dentre as distribuições Linux o Ubuntu foi utilizado ?

    Daniel: Bem, fizemos uma comparação com preços de licenças MS Windows e o custo ficaria muito alto, por isso utlizamos o Linux. A distribuição escolhida foi a Ubuntu porque é uma distribuição que já vinha com os softwares que precisávamos além de ser um projeto promissor e com bastante suporte no site http://www.ubuntu.com

    KurtKraut e Ubuntuser: É excelente a idéia de introduzir a informática para pessoas utilizando o Ubuntu. Mas provavelmente estas pessoas quando se depararem com um computador em outra oportunidade, muito provavelmente a plataforma será Windows. Como que vocês lidam com a questão e que tipo de orientação sobre esse assunto vocês passam aos alunos ?

    Daniel: Existe esse “mito”, mas o melhor de tudo é que deparamos com pessoas (80%) que nem sequer fazem idéia do que é o “Windows”, e apresentamos a elas o Computador com um sistema operacional instalado, no caso, o Linux. Como as ferramentas utilizadas são de fácil aprendizagem e fazem o que tem que ser feito, não existe essa barreira do “Windows” para nós. Na verdades, estamos implantando já uma cultura Livre para essas pessoas, que quando utilizarem um computador com o Windows certamente perguntarão “Que sistema operacional é esse”?

    OgMaciel: De que forma a comunidade Ubuntu Brasil poderia ajudar o projeto?

    Daniel: A princípio não tem muito o que ser feito, mas ela pode ajudar enviando sugestões, para o email daniel@fag.edu.br

    OgMaciel: Onde encontrar mais informações sobre o projeto?

    Daniel: Estarei encaminhado um material completo para o Kurtkraut, ele poderá formatar elas se quiser. Essas informações estarão livremente disponiveis no site do projeto de vocês, que aliás, é uma iniciativa plauspivel! Parabéns.

    Agradeço ao Daniel e a todos que participaram enviando perguntas.

    Laptop de 100 dólares… para quê ?

    Wednesday, November 16th, 2005

    Esta é a concepção artística para o laptop de 100 dólares que de acordo com o projeto da ONG OLPC (One Laptop Per Child) seria distribuído no Brasil a cada criança da rede pública básica (Ensino Fundamental e Médio).

    O principal militante da idéia é Nicholas Negroponte, ligado ao MIT. Segundo ele, a escolha do Brasil seria pelo seu elevado contingente excluído digitalmente, constatação que duvido que qualquer ubunteiro discorde.

    O equipamento possui esse design bem peculiar como forma de evitar furtos e revenda. Ele não seria comercializado, apenas quem recebesse através do governo poderia ter o equipamento. De acordo com Negroponte, “Seria como pegar algo de uma igreja: todos saberiam a origem daquele objeto”.

    Tenho que confessar que tecnologicamente o projeto é bastante interessante. Primeiro porque ele é integralmente em software livre e prefere o código aberto. Tanto que a Apple ofereceu seu sistema operacional gratuitamente para o laptop e a oferta foi rejeitada por justamente não ser código aberto. O processador seria um AMD 500mHz, memória flash de 1GB, porta USB e Wi-Fi. Só fiquei saber que escola pública manteria uma rede Wi-fi com seu custo de manutenção e tráfego.

    Haveria uma manivela no eixo principal do laptop que com uma girada de um minuto, se garante mais 10 minutos de uso, dando uma autonomia impecável ao equipamento. Também ele conta com bateria e pode ser ligado diretamente na corrente elétrica. O cabo AC do laptop pode ser utilizado como alça em seu transporte. Como seu usuário final em maioria são crianças, ele é todo revestido por uma densa borracha e se preocupa em ter materiais de altíssima resistência.

    Para que o valor de 100 dólares por unidade seja atingido, no mínimo a produção teria que ser em torno de 4 e 5 milhões de unidades. Espera-se que, o Brasil aderindo integralmente ao projeto, até 2010 quarenta milhões de alunos utilizem o equipamento.

    Tudo isso é lindo, comovente, mas serve para o quê ? Para que colocar no colo de cada criança um laptop se muitos de seus professores sequer redigiram um texto no Word ? Não duvido que crianças por conta própria em poucos meses extraiam tudo que esse equipamento pode dar, mas o professor acho difícil.

    Não faz sentido em um país carente de dinheiro em caixa, onde existe fome, você gastar cerca de R$300,00 para que cada criança tenha uma máquina de escrever cara. Só usar editor de texto é desperdício. Um equipamento desse precisa ser utilizado ao extremo. Que tal discutirmos na aula de hoje geopolítica usando o Google Maps. Que tal entrarmos em uma célula e vê-la por dentro ?

    Agora para isso, o professor precisa dominar o computador, não apenas utilizá-lo. Existe pouco material didático bom e em português disponível na internet e mesmo que existisse, muitas vezes ele não atende a necessidade que o professor tem na sala de aula. Cada escola tem um programa diferente, aulas diferentes, que de um mesmo assunto como o DNA por exemplo, abordam com uma menor ou maior profundidade. Então o principal responsável pelo material didático é o professor e para justificar um laptop para cada criança, esse professor teria que estar habilitado a usar desde ferramentas 3D até programar em alguma linguagem para atender a sua necessidade.

    E isso é um tanto quanto complicado. Não basta ensinar um professor usar um computador, a criar objetos e ambientes 3D e a programar em python. Essas ferramentas são vazias em si quando se pensa na sala de aula. Tem que haver todo um trabalho pedagógico e bem determinado sobre como utilizar essas ferramentas. Usando o exemplo que eu dei, não basta ensinar o professor a programar em python, tem que ensinar e dar a idéia a ele de fazer um programa em python que transforme trechos de DNA em proteínas na telinha do aluno. Um treinamento desse não leva meses, leva anos. Principalmente considerando que um professor para sua subsistência, dá aula em vários colégios em todos os turnos, sobrando quase que nenhum tempo para seu aperfeiçoamento.

    Então tenho uma contra proposta para o governo federal que tem estudado o projeto de Negroponte. Uma proposta irrecusável pois ela é melhor, mais barata e se tem maior certeza de seu resultado. Eu proponho trocar os 100 dólares gastos para cada criança em 100 dólares gastos para cada professor. Oferecendo para eles reciclagem de conteúdo, técnicas didáticas, que ofereçam a eles o treinamento para tratar de assuntos como drogas, orientação sexual e orientação profissional. É um investimento exponencialmente mais barato e com absoluta certeza da eficácia, ao invés do risco do subaproveitamento do laptop.

    Será que a idéia de um laptop de 300 reais para cada criança da rede pública no Brasil só soa absurdo para mim ?

    Abraços,

    KurtKraut