Archive for the 'Software Livre' Category

Ode ao Ubuntu-PT

Thursday, May 8th, 2008

No além mar também existe Ubuntu. É o caso da comunidade Ubuntu-PT, que possui um Planeta, como também aqui temos. Em homenagem a esta comunidade, ofereço para os leitores do Planeta Ubuntu Brasil um trecho de uma obra dos mais célebres portugueses que inaugura aquilo que nos mais une Brasil e Portugal no Software Livre: a língua portuguesa.

Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o sol a negra escuridade,
Removendo o temor do pensamento:
Assim no Reino forte aconteceu,
Depois que o Rei Fernando faleceu.

“Porque, se muito os nossos desejaram
Quem os danos e ofensas vá vingando
Naqueles que tão bem se aproveitaram
Do descuido remisso de Fernando,
Depois de pouco tempo o alcançaram,
Joane, sempre ilustre, alevantando
Por Rei, como de Pedro único herdeiro,
(Ainda que bastardo) verdadeiro.

“Ser isto ordenação dos céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de uma menina,
Ante tempo falando o nomeou;
E como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
- “Portugal! Portugal!” alçando a mão
Disse “pelo Rei novo, Dom João.” -

Início do Canto IV da obra ‘Os Lusíadas‘, de Camões.

Empacotar é coisa do século passado - acordo de cooperação tecnológica

Sunday, February 3rd, 2008

Em seu blog, Ian Murdock, o fundador do Debian nos diz em ‘Como gerenciamento de pacotes mudou tudo‘ que:

Qual é o maior avanço que o Linux trouxe para a indústria ? Essa é uma pergunta interessante, e uma que na minha opinião tem uma resposta simples: Gerenciamento de pacote ou, mais especificamente, a capacidade de instalar e atualizar software através da rede de uma forma transparente, integrada e elegante, juntamente com o modelo distribuído de pacotes. (adaptado)

De fato, é um diferencial ímpar. Mas esta tecnologia do mundo GNU Linux está presa ao século passado. Os programas já compilados que instalamos nas nossas distribuições favoritas são produzidos em um processo artesanal que me remete as antigas linhas de montagem em que cada produto precisava ser manualmente embalado.

Divido aqui a comunidade de software livre em dois grandes tipos: aquela que desenvolve, que está engajada diretamente na produção de software, na programação dele. São projetos como OpenOffice, Gnome, Apache etc. Do outro lado, temos também as comunidades que distribuem esses softwares, que fazem as distribuições como Debian, Ubuntu, Fedora, ArchLinux etc. São grupos bem distintos com culturas bem distintas e integrados pela prática rococó do empacotamento.

Para efeito de conversa, pensemos no Apache, exemplo favorito de Sergio Amadeu. Quando o projeto Apache lança uma nova versão de seu software, ele lança apenas o código fonte. Cada usuário GNU Linux, para utilizá-lo, tem que baixar o código-fonte e prepará-lo para compilar. Tal tarefa não é uma das mais fáceis e exige tomada de decisão baseada em quesitos técnicos. Cada dependência, cada pedacinho que compõe o programa teria que ser separadamente baixado, compilado e configurado manualmente. Para ferramentas grandes como Gnome e KDE isso chega a levar dias. Por isso vou um pouco além de Murdock: eu diria que o GNU Linux seria insalubre se não fossem os sistemas de gerenciamento de pacotes. Tais sistemas permitem a mágica do único comando ou com um punhado de cliques, o Apache seja instalado já previamente compilado e pré-configurado para o uso mais comum.

Mas… como o pacote do Apache ou de qualquer outro software são gerados ? Eis o processo que me dá arrepios: assim que uma nova versão do software é lançada, um voluntário de cada distribuição GNU Linux existente tem que manualmente fazer o download da nova versão do programa, compilá-la, configurá-la e por tudo isso em um pacote, que por si só, o empacotamento não é um processo simples e como a compilação, exige um engajamento em questões técnicas profundas. De fato, é uma otimização. Uma pessoa faz o trabalho sujo uma vez para que as outras milhares possam queimar essas etapas demoradas e chatas.

- Oras Kurt, mas se é tão bom, do que estas reclamando ?

Homer Simpson

Bem, não posso dizer pelos outros, mas me sinto muito estúpido quando sou obrigado a fazer algo que uma máquina faria muito mais rápido e eficientemente do que eu. Se toda a internet funciona com máquinas independentes, sendo a intervenção humana resumida a alguns Homer Simpsons olhando LEDs piscarem, por que cada singelo software tem que ser manualmente baixado, compilado, configurado e empacotado ? É uma perda de material humano e de tempo.

De fato, a força do Software Livre está em sua construção colaborativa. Mas precisamos depositar força de trabalho naquilo que realmente demanda por um cérebro orgânico. Por que não criamos scripts e softwares que automaticamente criem pacotes para cada distribuição ? Por que precisamos depender de um voluntário para que tenhamos em nossa distribuição favorita um software ? Tal processo ineficiente gera distorções: algumas distribuições tem um pacote e outras não, algumas tem versões mas atuais outras com versões antiquérrimas. Se todos usamos GNU Linux, por que manter em um cenário tão desigual em termos de disponibilidade de software ?

Em vez de cada distribuição criar a cada lançamento de softwares um pacote para ele, basta cada distribuição criar uma única vez um script para empacotar o Apache e a cada nova versão deste software, o script detecta, baixa, compila, configura e põe no repositório devido (por exemplo, os testing ou development).

- Eu já pensei nisso, mas é algo difícil de se fazer…

É difícil porque cada comunidade de desenvolvimento adota padrões diferentes. Tal diversidade atrapalha a construção destes scripts e intrisicamente seu funcionamento. O que venho aqui neste artigo propor de novo é um Acordo de Cooperação Tecnológica (ACT). Se conseguirmos padronizar o modus operandi das comunidades que desenvolvem software livre e das que distribuem, esses scripts funcionariam com tranquilidade. Mas, jamais para criar um padrão único para todas as distribuições e sim acordos de duas partes envolvidas: uma distro e um software combinam um padrão para que o empacotamento possa ser realizado. É a criação de um acordo, uma promessa de se deter a um padrão e não criar um padrão único. Exemplificando: é combinar qual vai ser o uniforme de um colégio e não que todos os colégios do mundo tenham o mesmo uniforme.

Nesse acordo, os projetos de softwares livres que possuem comunidade sólidas, como os que eu mencionei ao longo deste artigo, entrariam em acordo de cooperação com os responsáveis das distribuições que os utiliza ou os distribuem automaticamente instalados (como é o caso do Gnome para Ubuntu) para estabelecer algumas regras, algumas guidelines para o lançamento de novas versões. Onde fica que o arquivo XPTO, como que é a estrutura de XYZ, onde se armazenará o metadata da descrição do programa etc… de forma que:

a) A comunidade que desenvolve o software se compromete a seguir certos padrões no lançamento de seu código fonte, estabelecidos em consenso interno e com as comunidades das distribuições.

b) Cada distribuição assinante do acordo se compromete em desenvolver e manter scripts que façam o empacotamento automático.

- E se o script em algum momento falhar ?

É aí que finalmente deve entrar a força de trabalho humana, lendo os logs do script para detectar o erro, e providenciar a correção dele junto a comunidade que desenvolve o software ou reparando o bug do script para que ele volte a ser autônomo. Também o acordo não iria engessar os desenvolvedores e arrastá-lo para padrões artificiais. Na verdade, ninguém precisa mudar de padrão. Apenas eles precisam ser estabelecidos, listados, fixados, para que os scripts possam ser construídos e funcionarem. Dessa forma, estaremos construindo toda uma cadeia produtiva de lançamento de software livre, caminhando para mais um salto evolutivo nos sistemas operacionais GNU Linux.

UPDATE: Tenho ciência que algumas distribuições mais voltadas para a compilação no ambiente do usuário (como Gentoo e ArchLinux) têm automações parecidas. Não estou aqui sugerindo um processo na relação entre o usuário e o processo de instalação de softwares e sim no processo de empacotamento que a maioria das distribuições Linux fazem entregando ao usuário binários já compilados em forma de pacotes que dependem de intervenção humana. Se observarmos os dados do Distrowatch retirados hoje, temos como distribuições mais populares:

1- PCLinuxOS - RPM
2- Ubuntu - DEB
3- OpenSUSE - RPM
4- Fedora - RPM
5- LinuxMint - DEB
6- Sabayon - Portage
7- Mandriva - RPM
8- Debian - DEB
9- Mepis - DEB
10- Damn Small Linux - DEB
11- CentOS - RPM

Excetuando o Sabayon, todos utilizam essa abordagem manual na criação de pacotes.

Suporte a mensagens offline no Pidgin

Sunday, January 27th, 2008

Pidgin

A que tudo indica, o pombo correio mais querido do mundo do Software Livre deve suportar o envio e o recebimento de mensagens offline para a rede MSN dentro de pouco tempo. É isso que se pode concluir através do roadmap do projeto, a partir do item Activate MSNPv14, versão do protocolo MSN que implementa este recursos. Alguns mensageiros instantâneos como o Emesene já utilizam tal versão do protocolo e o tradicional Pidgin é retrógrado nesse sentido. Talvez se deva pela implementação ser considerada de baixa prioridade (minor) como consta nesta roadmap.

A conclusão pode ser tirada pelo número de tickets da implementação do MSNPv14 na plataforma Trac do Pidgin. Dos 4 tickets (= pendências) desta novidade, apenas um resta ser resolvido. Este ticket corresponde a incapacidade de se remover contatos após a fusão da nova versão do protocolo. Mas, não quero aqui lançar falsas esperanças: há quase 1 ano acompanho esse processo e pouquíssimas colaborações são feitas. Quando abordei developers do projeto tentando persuadí-los a dar mais atenção para a questão, as respostas mais delicadas que recebi foram ‘use Jabber‘. Bem, se apenas dizer isso bastasse, eu não teria mais contatos no MSN e não estaria preocupado com isso. Mas somente com amplas manifestações na lista de e-mail do projeto é que podem saltar aos olhos dos desenvolvedores a importância e a urgência de tal recurso. Portanto, convido todos a fazerem tais manifestações.

Essa situação depõe contra o Linux e outros sistemas operacionais livres. Já vi muitas pessoas debocharem do Linux dizendo algo como ‘ué, mas nem com mensagem offline o Linux é compatível ?‘. É um raro quesito em que Windows fanboys têm razão. Eu dependo do Pigdin por conta dos múltiplos protocolos, por isso não migro para o Emesene. Mas tenho que ter a irritante rotina de logar conta por conta que tenho do MSN no Emesene para ler as mensagens offline. Pelo menos, acho isso menos pior do que o uso de scraps do Orkut para recadinhos assíncronos. Como costumo dizer, scrapbook não é porta de geladeira.

Geladeira

SPAM da Novell

Thursday, September 27th, 2007

foto por Dave Golden

Lembram-se da Novell que levou 30 dias para responder um e-mail de alguém querendo contratar seus serviços ? Menina má: não só a empresa me provocou enorme decepção e agora parece que tem buscado causar minha profunda irritação.

Poucas coisas na internet conseguem ser mais detestáveis que SPAM. Também, poucas coisas conseguem depor mais contra uma empresa como a prática do SPAM. Pois bem, eu tentei fazer um orçamento de uma solução em Software Livre da Novell e além de terem levado 30 dias para responder, agora passei a receber SPAM desta empresa.

Hoje em menos de 1h recebi dois e-mails não solicitados e enviados em massa da Novell, assinados por Ana Dos Santos (ADosSantos@novell.com) e Marcus Almeida (MALMEIDA@novell.com). Em ambos, oferecendo serviços de treinamento em administração de servidores SUSE e mais especificamente no primeiro, os preços variam de R$1.200,00 a R$3.600,00. Será que um treinamento desse nível e com esse preço depende de SPAM para fazer sucesso ? Duvido muito. Como disse antes, só depõe contra.

A senhora Ana dos Santos eu nunca tive contato na minha vida, nem sabia que existia. Mas o Marcus Almeida já fez um tardio mas educado contato comigo, relatado no meu post anterior. Mas o que me chama atenção no e-mail dele é o aviso de rodapé:

Importante: Esta mensagem deve ser lida e utilizada apenas pelo destinatário ao qual é enderecada e pode conter informacões confidenciais ou sob algum tipo de restricão de divulgacão sob as penas
da lei.

Confidentiality Notice: This message is intended only for the use of the individual or entity to which it is addressed, and may contain information that is privileged, confidential and exempt from disclosure under applicable law.

Ou seja, não basta mandar SPAM, tem que ameaçar judicialmente caso o conteúdo seja publicado ? Essa cara-de-pau acho que nem empresas startups de fundo de quintal gerida por adolescentes têm.

O erro é mais didático que o acerto, Andréa

Tuesday, August 28th, 2007

Depois que o jornal Estadão cantou de galo sobre a blogosfera tentando semear no público uma desconfiança sobre a inteligência coletiva disseminada pela internet, ficou claro e documentado que a mídia tradicional não consegue compreender os rumos que a atualidade tem apontado na criação, gestão e disseminação da informação além do olhar preconceituoso e pueril que esses veículos lançam sobre estes rumos.

Nessa semana, um artigo publicado no caderno de educação do jornal Folha de São Paulo (em sua versão online) as 12h40min do dia 25/08/2007 confirma o que eu percebia dando palestras em faculdades: a academia, com sua cultura tradicional e erudita é incapaz de compreender o momento da tecnologia da informação que vivemos agora e já começa a tentar defender seus meios e hábitos como um menino arredio. Nesse artigo, sobre o uso de editores de texto em computadores, Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP é entrevistada:

Quem faz texto no Word, por exemplo, tem tudo corrigido automaticamente.” Dessa forma, diz ela, o estudante deixa de prestar atenção em regras básicas da ortografia. “A solução é que as escolas peçam alguns trabalhos escritos à mão, pelo menos nas séries iniciais“, afirma Andréa.

Não. O erro é mais didático que o acerto, Andréa. Quando uma pessoa escreve uma palavra de ortografia incorreta, o computador não corrige o erro magicamente. O usuário é alertado por um grifo pontilhado e vermelho abaixo da palavra e quando se clica com o botão direito sobre ela, o editor sugere uma listas de palavras que parecem a ele mais adequadas para o contexto. Ao ser obrigado a interagir com o programa e selecionar uma palavra mais adequada, o aluno estará aprendendo qual é a ortografia correta da palavra que por impulso ou hábito fonético ele escreveu errado. E mais, algumas palavras que não eram do conhecimento do aluno podem ser exibidas nesta lista, enriquecendo o vocabulário. Essas oportunidades de aprendizagem só acontecem com um editor de texto, dificilmente ocorreriam em meios tradicionais.

De fato, nas séries iniciais é necessário que o letramento ocorra de forma manuscrita. Mas, assim que a criança desenvolver a coordenação motora fina suficiente para que sua expressão escrita seja inteligível a outras pessoas, ela pode ser submetida ao uso de um editor de texto ou a um computador como um todo sem qualquer tipo de prejuízo. Muito pelo contrário, as oportunidades são ampliadas quando esse tipo de prática é feita, como discuti anteriormente. Oportunidades que são facilmente percebidas quando se experimenta uma ferramenta antes de emitir um parecer sobre o uso dela a um jornal em nome de um núcleo de pesquisas de psicologia em informática.

Também não posso deixar de registrar meu desconforto ao ver que o uso de uma marca registrada de um produto é utilizado como sinônimo de editor de texto. É uma boa oportunidade de lembrar que o Word não é a única forma de se escrever, editar e imprimir textos em um computador. As outras alternativas são, do ponto de vista técnico, muito superiores a ele. Recomendo conhecê-las.

Fica aqui o sinal de alerta para a comunidade acadêmica: baixem as armas. Tentem estudar e usufruir do que a tecnologia da informação tem de melhor para ajudar o desenvolvimento do conhecimento. Se a academia continuar apegada aos seus vícios e tradições, ficará à margem das práticas sociais mediadas em ambientes virtuais e por tabela aquém do bendito ‘mercado de trabalho‘ que todo universitário quer atender.

 

por Kurt Kraut

FISL: Texto Livre

Tuesday, April 10th, 2007

Aloha,

Faço um convite a toda comunidade que estiver no FISL 8.0 a assistir a minha apresentação (juntamente com o Leonardo Amaral e Daniervelin Renata) sobre o projeto TextoLivre - www.textolivre.org

Esse projeto oriundo da UFMG (com participação da USP e futuramente mais universidades), coloca o Software Livre nas atividades acadêmicas. É em essência um projeto de documentação onde as comunidades de distribuições Linux, outros sistemas ou Softwares Livres solicitam ao projeto Texto Livre que documentações, programas e outros materiais textuais sejam revisados, traduzidos ou testados pelos alunos ligados ao projeto. Estão atuando ou já atuaram no projeto alunos do curso de Letras, Biblioteconomia e Ciência da Computação, expansível a outros cursos também.

Se a sua distribuição favorita está carecendo de uma revisada na documentação ou seu software livre favorito não está apenas em português, o Texto Livre está oferecendo peopleware, mão-de-obra acadêmica para a produção destes textos com qualidade em Software Livre.

O projeto é uma via de mão dupla: é por a produção acadêmica a serviço da sociedade, a disposição do Software Livre e da inclusão digital como também capacitar os alunos engajados no projeto para o uso do Software Livre em suas pesquisas e cotidiano.

A palestra sobre o projeto será feita no dia 13/04, as 18h na sala Haskell dentro do evento. Para quem não estiver em Porto Alegre e participando do evento, haverá transmissão ao vivo pelo site da TV Software Livre. Recomendo muito a palestra a professores, funcionários e alunos de universidades que pretendem incluir o Software Livre nas atividades acadêmicas.

O portal Under-linux.org abraçou a causa do Texto Livre desde o início e tem sido o principal vetor de nossas publicações. Além da palestra, contaremos com um grupo de usuário no evento juntamente com o portal Under-linux. Receberemos todos os interessados para uma boa conversa e até firmar acordos de cooperação entre a comunidade acadêmica e a comunidade.

Espero vocês lá !

Abraços,

Kurt Kraut

HD da mãe Joana

Sunday, November 19th, 2006

Computadores apesar de parecerem os detentores da organização são incrivelmente propensos a se desordenarem. Na verdade, a culpa é nossa. Somos nós que colocamos cabos ao leo e arquivos a propria sorte. Se já era difícil manter meu HD em ordem quando minha conexão era de apenas 1mb, agora com 4Mb/s essa missão tem sido impossível. Tudo que vou recebendo via IRC, IM, e-mail, ftp ou baixo manualmente vai se amontoando em algumas pastas até se tornar um volume incompreensível de arquivos onde se acha nada.

A solução que encontrei foi de autosabotagem, inspirada numa dieta estranha que ouvi dizer em que você deve grudar na porta da geladeira todas as fotos de quando era magro para se lembrar que um dia você já foi daquele jeito. No meu computador, a solução foi: remover os arquivos baixados caso eu não os organize.

A lógica é bem simples: dentro da minha home tenho uma pasta chamada downloads, e nela vem pastas de cada programa que utilizo para baixar arquivos (Firefox, Gaim, Xchat etc). E lá vão se acumulando tudo o que baixo no computador. Configurei no crontab, um agendador de tarefas, para que semanalmente exclua TODO o conteúdo destas pastas. Como a remoção pode acontecer a qualquer momento, desde daqui a 15min até daqui a 7 dias, sou obrigado a assim que baixar algo, descompactar ou dar o devido tratamento e salvar em uma pasta específica (como musicas, imagens, designs ou documentos), devidamente classificado ou simplesmente deixar apagar-se sozinho como um PDF que baixei só para dar uma olhada.

Para isso, digitei o comando:

crontab -e

Que irá editar a minha crontab. Irá aparecer um editor de texto e a seguinte linha:

# m h dom mon dow command

Ela serve como referência e não deve ser alterada. É bem simples de entender. Esse arquivo é constituído de 6 colunas, separadas por espaço. Onde:

m - minutos (de 00 a 59)

h - horas (de 0 a 23)

dom - dia do mês (1 a 31)

dow - dia da semana (do inglês, sun mon tue wed fri sat)

command - comando a ser executado

Então caso eu queira rodar um comando a cada 15 minutos, as segundas-feiras eu teria que incluir a seguinte linha linha:

15 * * * mon comando

Mas como rodar algum comando semanalmente ? Existem alguns atalhos compreendidos pelo crontab:

@reboot - executar cada vez que o computador foi reiniciado.
@hourly - executar a cada hora
@daily
- executar diariamente
@weekly - executar semanalmente
@monthly - executar mensalmente
@yearly - executar anualmente

Eles são bastante úteis pois, caso uma tarefa esteja agendada para um horário que o computador esteja desligado, quando ele for ligado depois desse horário, a tarefa não será cumprida. Ele não registra ‘tarefas pendentes’. De acordo com Rudnicki, esses atalhos precedidos de arroba podem atuar sim como pendentes e serem executados assim que o computador for ligado.

Então, meu crontab ficaria assim:

# m h dom mon dow command
@weekly rm -rf /home/ktk/downloads/firefox/*

Há de fato algum risco na configuração que defini. Risco de imediatamente após o término da transferência ou durante de um arquivo, dele ser apagado pela infeliz coincidência do crontab entrar em ação. Por conta disso, nosso amigo Carlos Romel propôs nos comentários desse post uma solução. Um script bash que apaga somente os arquivos com mais de 7 dias de idade. Então, faz sentido adicionarmos este script com o valor @reboot. Primeiro, vamos ao código fonte do script:

#!/bin/bash
#
# Elimina os arquivos com mais de sete dias;
#
for d in /home/ktk/downloads/firefox; do

find $d -type f -mtime +7 -exec rm –force “{}” \;

#
# Removemos os diretóios vazios
#
find $d/* -type d -print0 | \
sort –zero-terminated –reverse | \
xargs –no-run-if-empty –null –max-args 1 rmdir 2> /dev/null
done

Vamos salvar este script em /home/meulogin/scripts/limpardownloads.sh. Para que esse arquivo seja interpretado como um executável, devemos digitar:

chmod +x /home/ktk/scripts/limpardownloads.sh

E adicionar no crontab:

# m h dom mon dow command
@reboot /home/ktk/scripts/limpardownloads.sh

E está tudo feito. A partir de agora, basta se policiar para organizar bem os arquivos :D Como dizem os filmes de espionagem… ‘Esta pasta se autodestruirá em 5. 4, 3, 2 1…’.

Obrigado pelos comentários. Ajudaram a estabelecer uma solução melhor.

Fotos da Festa Edgy no Rio e Floripa

Sunday, November 5th, 2006

Logo depois da Festa Edgy no Rio de Janeiro tive que viajar a trabalho para uma reserva ecológica no litoral de São Paulo. Depois de charfurdar em muito manguezal e também uma picada de vespa para ganhar um terceiro cotovelo, chego em casa em farrapos para ainda em tempo postar as fotos da Festa Edgy no Rio e em Florianópolis, a pedido do BradocK.

Rio de Janeiro

Na fileira da esquerda, de cima para baixo: Ibsen, Junix, eu, Turicas

Na fileira da direita, de cima para baixo: Krysamon, Nelson, estranho, lsilva e Ricardo Pinheiro.

Tanto no Rio como em Floripa As pizzas e CDs circulavam enquanto a prosa e a confraternização rolava solta. Obrigado a todos que participarem dessas festas e outras no Brasil como em Teófilo Otoni (MG) Salvador (BA), Vitória da Conquista (BA), Joinville (SC) e Aracaju (SE).

Festa Edgy Rio de Janeiro: MARCADA

Sunday, October 22nd, 2006

Conforme votação aberta em http://wiki.ubuntubrasil.org/FestaEdgyRJ foram selecionados o local, data e hora para a comemoração da chegada da salamandra (Edgy Eft), a próxima versão do Ubuntu a ser lançada nessa semana. Confira os dados:

Local: Pizza & Grill Largo do Machado (ao lado do metrô)
Data: 27/10/06 (sexta-feira)

Hora: 19h

São todos bem-vindos. Quem usa Ubuntu, quem não usa, quem quer conhecer mais sobre o Software Livre e GNU e quer ter uma prosa franca ao vivo com quem usa. Tragam esposas, amantes, filhos, sogras, colegas de trabalho, todos para confraternizarmos e comemorarmos uma nova versão do Ubuntu.

O local escolhido é um rodízio de pizza bastante inusitado, com mais de 180 sabores incluindo alguns assustadores como pizza de sushi ou pizza de bobó de camarão, além é claro, de sabores tradicionais como calabresa. Também servem refrigerantes em 2L para dilatar bem o estômago e encher a pança de forma bem econômica. Afinal, dieta se começa na segunda-feira, não sexta, no dia da festa.

Espero encontrar vocês lá. Não se acanhem, ninguém se conhece bem. Colocarei CDs do ShipIt empilhados na mesa para fácil identificação. Ah, se alguém que use Fedora e OpenSUSE puder ir eu agradeço. Depois do último evento de SL que fui me interessei pelos projetos e gostaria de conhecer melhor.

Para outras cidades, verifique as datas/horas/locais de comemoração clicando aqui.

Socializando o novo usuário

Sunday, October 15th, 2006

A fila é uma instituição brasileira. A qualquer lugar que se vá, corremos o risco de sermos enfileirados. Seja pela má qualidade dos serviços (públicos e privados) prestados, seja pela aglomeração das metrópoles ou pelas simples incompetência de quem está do outro lado do balcão, a única certeza é que teremos fila.

Não precisa de pedido, placa ou lei: a fila se formará sozinha. Mas como isso entrou em nosso inconsciente ? Como diria Buarque: pela educação.

Existem duas formas básicas de educar: a formal e a informal. A formal é a mais conhecida, se realiza de forma intencional e orientada. Ocorre quando um professor ensina uma matéria ou uma mãe ensina ao filho pela primeira vez a usar o microondas. São instruções passadas de forma clara e objetiva. Já a informal se dá quase que por acidente, sem intenção. Ela ocorre pelo exemplo.

Qualquer criança que acompanha os pais cotidianamente verá várias vezes filas se formarem e permanecerá nelas, em seu lugar até chegar sua vez. Quando os pais respeitam filas e levam seus filhos a elas, sem dizer qualquer palavra, passam uma forte mensagem sobre como nossa sociedade funciona e sobre como devemos nos portar em situações como aquela. E na primeira situação que a criança sozinha se ver aglomerada, irá instintivamente enfileirar-se como aprendeu informalmente.

Nossa comunidade é ineficaz em educar nessas duas formas. Formalmente, faltam documentos wikis, vídeos e podcasts sobre os valores de nossa comunidade. Sobre que liberdade é essa do ‘Software Livre’ e que comportamento se deve ter dentro da comunidade.

Quem vem do Software Proprietário tem uma série de hábitos e valores que precisam ser perdidos. Eles costumeiramente se enxergam como usuários isolados, se relacionam no máximo com a empresa que desenvolve o software e não compartilham o conhecimento. Situação diametralmente oposta a de quem usa Software Livre, que mais que um usuário, é membro de uma comunidade, se relaciona com os demais e compartilha conhecimento.

Para se relacionar com outros membros da comunidade, para socializar, é necessário uma etiqueta básica. Pune-se com rigor quem se desvia dela, assim como furar fila pode virar caso de polícia. Mas pouco se esclarece sobre o ethos e a etiqueta de nossa comunidade. Precisamos escancarar que aqui não são bem-vindos palavrões, ofensas, flame wars etc, que sempre se deve dizer a fonte e dar os devidos créditos dos materiais, usar por favor/obrigado/de nada e por aí vai. Assim nosso novo linuxer terá trânsito livre em IRC, fórums, wikis etc sem quaisquer transtornos.

Agora quanto a educação informal, temos que nos policiar. O Yuri Malheiros deu no planeta.gnulinuxbrasil.org a excelente dica do Scribes, um editor de texto para programação. Mas os mantenedores desse software fizeram uma apresentação em flash do software. Ou, por exemplo, muitos podcasts por aí sobre Software Livre que são distribuídos apenas em mp3. Não teria aí uma incoerência ? Usar o SL para falar de SL é um reforço a sua ideologia e a clara demonstração que ele atende as exigências modernas da computação. Nos falta também uma maior paciência e benevolência com os usuários que requerem suporte. Já passou da hora de abolirmos o RTFM.

Quando a educação formal e informal falham os resultados são desastrosos. Me dá asco só de lembrar de um episódio ocorrido no #ubuntu-br há algumas madrugadas atrás. Um rapaz engajado com o Ubuntu dizia que, pelo fato de seu trabalho junto a distribuição ser voluntário, ele era isento de qualquer responsabilidade ou compromisso com qualidade, de que ele faria o que quisesse quando desse na telha e ai de quem discordasse. Essa confusão dele entre ‘Software Livre’ e ‘Software de Libertinagem‘ é uma clara demonstração que houve uma falha na transmissão de valores.

Fico imaginando o que seria de nós se voluntários em hospitais, orfanatos e asilos pensassem assim. Mais que uma falha na passagem de valores de nossa comunidade para esse rapaz, é uma falha de caráter. Pelo menos entendo que é inseparável em mim a vontade de fazer as coisas bem feitas, de dar o melhor de mim pois as pessoas o merecem e mereço receber de volta o melhor delas. Esse rapaz não é caso isolado… na comunidade do Ubuntu Brasil tem sido recorrente a interpretação que o engajamento com Software Livre é fazer ‘o que quiser, se quiser, quando quiser e da forma que achar melhor‘.

Não basta abrirmos uma porta para que entrem no Software Livre. Temos que dar a cada um um lugar a mesa e munir eles da postura e etiqueta correta para que se sirvam e nos sirvam, mantendo a sustentabilidade ecológica de nossa comunidade.

Sobre Amadeu & Neves no Jô Soares

Friday, October 6th, 2006

É arriscado escrever sobre isso no calor do momento, enquanto a comunidade brasileira está incendiada por esse assunto. Mas tenho que cumprir meu dever como colunista nesse site e tentar trazer algumas questões sobre o que podemos chamar de ‘incidente trágico’, televisionado na Globo hoje.

Sérgio Amadeu e Júlio Neves são nomes auto-explicativos na comunidade brasileira e dispensam apresentação. Assim como o Jô Soares que dispensa currículo: notório castrador de entrevistas. A sensação ruim que ficou depois da entrevista (curiosamente curta) não é raridade: muitos entrevistados já sairam daquele sofá mal compreendidos e muitas vezes negativamente expostos.

Primeiramente, temos que dar os devidos descontos a situação. Estar sentado naquela primeira fileira e de repente ouvir seu nome, com a banda começando a tocar e a platéia aplaudir deve dar um revertério nas tripas de embaralhar as idéias. É difícil falar sob tamanha tensão e responsabilidade. E o tiro saiu pela culatra.

Falar sobre ‘Software Livre’ para um público que mal sabe o que é ‘Software’ é uma tarefa árdua que exige palavras bem escolhidas e na medida certa, o que é difícil quando se é sempre interrompido pelo Jô Soares. Eu já comecei a bater com a palma da mão na testa quando o Jô começou a subverter a questão do livre versus gratuito e de ter plantado a semente da desconfiança de que o SL é uma armadilha comercial, assim como os empestiantes CDs da UOL e AOL que contemplavam como brinde um contrato e uma mensalidade à pagar.

Também o Amadeu foi muito infeliz (beirando o desgraçado, com todo o respeito se for possível) com os exemplos que deu. Ao falar que a Google usa Apache, e que Apache é Software Livre, Jô Soares fez a célebre pergunta ‘Então eu posso mudar o Google ?’ que foi respondida sonoramente como um ‘não’. Para um olhar leigo, os entrevistados foram jogados em contradição.

Resumo da ópera: quem nunca tinha ouvido falar em Software Livre agora não só sabe que ele existe e pior: tem idéias obscuras sobre ele. A Schincariol sabe muito bem o que é sofrer rejeição de quem sequer atende ao ‘Experimenta ! Experimenta ! Experimenta !‘… é catastrófico.

O que deveria ter sido dito naquela entrevista é o quão tecnologicamente o Software Livre é superior e como ele é uma boa alternativa para as pessoas em casa que são reféns de vírus, instabilidade e quebra de privacidade. Enfatizar que é um movimento social, que é ganhar controle do computador, que é economia com licenças e patentes, enfim, por aí vai.

No IRC, muitos clamaram por uma nova entrevisa, por uma ‘reparação de danos‘. Garanto que isso não ocorrerá. O Programa do Jô é muito avesso a ‘revival’ de assuntos. Vão levar anos para falar em SL denovo e isso é, se forem falar denovo. Não acho que bombardear de e-mails raivos o jo@globo.com irá surtir algum efeito.

O que acho que seria produtivo é uma contra-proposta, ou uma contra-entrevista. Me disseram que a entrevista durou cerca de 14 minutos. Que tal fazermos em áudio (ou até em vídeo) uma entrevista de mesma duração, com cenário parecido, roupas parecidas, um entrevistador gordo na plena qualidade de produção Hermes & Renato, talvez até com perguntas parecidas, em que as respostas são esclarecedoras e positivas quanto ao MOVIMENTO SOCIAL (e não armadilha econômica) chamada Software Livre ?
Quanto mais cômico for o vídeo, mais temos chances de embarcar no tal do marketing viral, ao ponto de ter pessoas mandando o vídeo em anexos por forward em e-mails, nicks de MSN e outras horrendices virtuais e fazer com que nossa mensagem atinja um número de pessoas tão abrangente quanto o incidente trágico televisionado hoje.

Alguém se candidata ?

ntfs-3g no Universe do Edgy

Thursday, October 5th, 2006

 

O pacote do ntfs-3g já está disponível nos repositório Universe do Edgy. Agora será bem mais simples para os usuários que ainda permanecem com dual boot ter permissão de escrita em suas partições NTFS.

O uso do ntfs-3g é bem estável e seguro a que tudo indica. Mas, não é perfeito. Vi num blog de um rapaz que fez alguns stress tests e alguns arquivos maiores que 4gb corromperam. Então fica a dica de evitar gravar arquivos nessa grandeza. Essa novidade é um passo importante pois aproxima mais o Ubuntu das soluções ‘out of the box’. Creio eu que o que falta para que o ntfs-3g entre no main e até venha junto no LiveCD é uma maturidade maior do projeto e do código fonte. Atingindo-se isso, é um sério candidato a ser incorporado no Ubuntu por padrão.

Festa Edgy Rio de Janeiro. E a hora da salamandra !

Saturday, September 30th, 2006

Para quem mal se acostumou com o Dapper, prepare-se: o Edgy já está por vir. Está previsto para ser lançado dia 26 de outubro. E para não perder o costume, vamos comemorar !

Se você estiver no Rio de Janeiro na semana do dia 26 de outubro, cheque este wiki. Nele, você poderá votar numa data, hora e local de sua preferência para que os usuários Ubuntu presentes na cidade maravilhosa possam se encontrar e festejar a nossa nova versão.

Conhece ninguém ? Nem nós ! É tímido ? Todos nós somos. Todos são convidados a confraternizar independente de que distribuição use ou até sistema operacional. Que tal trazer aquele seu conhecido que está doido para experimentar o Linux mas ainda tem medo ? Ele poderá ter uma sessão particular de tira-dúvidas regada a muita cerveja :P

Para festas em outros municípios, confira esta página.

Aguardo todos vocês.

Palestra chata ? Música alta !

Sunday, September 24th, 2006

Se você não acreditar em mim, tudo bem. Se eu estivesse na sua posição de leitor, também duvidaria. Mas com todo o rigor do experimentalismo científico, você pode comprovar por conta própria o que vou te contar. Está sentado ? Se não, sente. O que vou contar é de assustar (ou morrer de rir).

Na palestra ‘Gerenciando Telecentos‘ do último FISL foi disponibilizada em streaming durante o evento e recentemente os vídeos foram disponibilizados em OGG via torrent. Pois então, fui baixar o tal vídeo da palestra que não pude acompanhar online. Eis que, para minha surpresa, dou play no vídeo e minimizo a janela para ouví-la enquanto continuava com minhas tarefas.

Rapidamente notei uma música do Pearl Jam tocando. Fui procurar outro player que eu tinha esquecido aberto e quando chego na minha segunda área de trabalho… pensei: ‘Pera, mas eu não tenho músicas do Pearl Jam.’Confesso que demorei até identificar a origem da música dada a incredulidade da origem dela: o vídeo do FISL.

Tenho dificuldade em explicar o que houve mas me parece que o indivíduo sentado na máquina que fazia a captura do vídeo da palestra estava ouvindo algumas músicas para passar o tempo na entediante palestra. A seleção de músicas é até boa: além de Pearl jam, reconheci R.E.M. e Silverchair. As músicas continuam em volume maior do que o áudio da palestra até os 16:50 de um total de 54:34 de palestra. E curiosamente a última música, Ana’s Song, foi interrompida abruptamente. Será que o rapaz se deu conta da lambança só naquela hora ?

Fica registrado aí o episódio para rir e evitar que aconteça denovo. É uma pena que um conteúdo tão importante como da palestra, importante para a inclusão digital no Brasil tenha sido abafado por uma playlist seleta. Mas, em todo caso, baixe o torrent aqui para ver e ouvir esse episódio inusitado.

Edgy Eft não terá mais kernels p/ k7 e 686

Sunday, September 10th, 2006

Além dos cassetes, os k7 também serão coisa do passado. Quem tem acompanhado o desenvolvimento do Ubuntu Edgy Eft e utilizava um kernel específico para as arquiteturas k7, 686 ou amd64 já deve ter notado a presença de um linux-image-generic no lugar de seu kernel habitual.

Pois bem, em recentes benchmarks (bem simples diga-se de passagem) notaram que não havia um considerável ganho de desempenho entre um kernel 386 e outro 686 que justificasse o custo operacional de manter o kernel especial. O mesmo se verificou entre as variantes amd64-generic e amd64-xeon.

Um único teste foi realizado comparando o kernel compilado para 386 e para k7. As diferenças foram maiores do que as encontradas entre 386/686. Mas ainda assim não acharam justificável a permanência do linux-image-k7.

Sendo assim, os pacotes linux-image-generic nos desktops e o linux-image-server nos servidores irão atender os processadores das famílias 686 e k7 sem otimizações específicas para os mesmos. As variantes 64 bits como amd64-k8 ou amd64-xeon deixarão de existir e estes processadores serão atendidos por um kernel de fato compilado para 64 bits mas com o nome linux-image-generic por uma questão de simplificação. Resta aos adictos pelos kernels especiais a tarefa de compilá-los por conta própria. Outros pacotes compilados de forma especial como o mplayer, mencoder, ardour e Xen permanecem na forma que estão.
Apesar de eu concordar que mais testes são necessários, essas alterações não devem causar decréssimo notável de desempenho por parte do usuário por mais que soe de início. Portanto, nada de alardes. Mas fica o convite a todos a fazerem mais benchmarks que tragam números que talvez demonstrem que essa decisão não deveria ter sido tomada, porém, até agora nenhum surgiu nesse sentido.

O Edgy tem sim ganhos de performance, vindo de reorganizações do processo de boot, de desligamento e até do LiveCD. Além, é claro, das melhorias costumeiras das novas versões de todos os pacotes. O que deve vir a tona para próximas versões são as discussões sobre medidas mais intrusivas na melhoria de performance como preload ou o prelink.

O preload analisa os hábitos do usuário e a partir desta análise prevê quais aplicações serão abertas em seguida no sistema e já as carrega juntamente com suas dependências para acelerar a abertura mediante a solicitação do usuário.

Já o prelink faz a ligações das aplicações com suas bibliotecas e armazena estas informações que usualmente são criadas cada vez que o programa é aberto. Como haverá uma espécie de ‘cache’ para estas ligações, o processo de abertura de programas que requerem muitas bibliotecas deverá ser acelerado. Há obviamente um custo: a instalação de programas via APT passa a ser mais demorada e a interrupção do processo de prelinking pode causar a quebra do sistema ou aplicação. O Fedora e o SuSE já usam prelink por padrão em algumas aplicações específicas.