Archive for the 'Software Livre' Category

Edgy Eft não terá mais kernels p/ k7 e 686

Sunday, September 10th, 2006

Além dos cassetes, os k7 também serão coisa do passado. Quem tem acompanhado o desenvolvimento do Ubuntu Edgy Eft e utilizava um kernel específico para as arquiteturas k7, 686 ou amd64 já deve ter notado a presença de um linux-image-generic no lugar de seu kernel habitual.

Pois bem, em recentes benchmarks (bem simples diga-se de passagem) notaram que não havia um considerável ganho de desempenho entre um kernel 386 e outro 686 que justificasse o custo operacional de manter o kernel especial. O mesmo se verificou entre as variantes amd64-generic e amd64-xeon.

Um único teste foi realizado comparando o kernel compilado para 386 e para k7. As diferenças foram maiores do que as encontradas entre 386/686. Mas ainda assim não acharam justificável a permanência do linux-image-k7.

Sendo assim, os pacotes linux-image-generic nos desktops e o linux-image-server nos servidores irão atender os processadores das famílias 686 e k7 sem otimizações específicas para os mesmos. As variantes 64 bits como amd64-k8 ou amd64-xeon deixarão de existir e estes processadores serão atendidos por um kernel de fato compilado para 64 bits mas com o nome linux-image-generic por uma questão de simplificação. Resta aos adictos pelos kernels especiais a tarefa de compilá-los por conta própria. Outros pacotes compilados de forma especial como o mplayer, mencoder, ardour e Xen permanecem na forma que estão.
Apesar de eu concordar que mais testes são necessários, essas alterações não devem causar decréssimo notável de desempenho por parte do usuário por mais que soe de início. Portanto, nada de alardes. Mas fica o convite a todos a fazerem mais benchmarks que tragam números que talvez demonstrem que essa decisão não deveria ter sido tomada, porém, até agora nenhum surgiu nesse sentido.

O Edgy tem sim ganhos de performance, vindo de reorganizações do processo de boot, de desligamento e até do LiveCD. Além, é claro, das melhorias costumeiras das novas versões de todos os pacotes. O que deve vir a tona para próximas versões são as discussões sobre medidas mais intrusivas na melhoria de performance como preload ou o prelink.

O preload analisa os hábitos do usuário e a partir desta análise prevê quais aplicações serão abertas em seguida no sistema e já as carrega juntamente com suas dependências para acelerar a abertura mediante a solicitação do usuário.

Já o prelink faz a ligações das aplicações com suas bibliotecas e armazena estas informações que usualmente são criadas cada vez que o programa é aberto. Como haverá uma espécie de ‘cache’ para estas ligações, o processo de abertura de programas que requerem muitas bibliotecas deverá ser acelerado. Há obviamente um custo: a instalação de programas via APT passa a ser mais demorada e a interrupção do processo de prelinking pode causar a quebra do sistema ou aplicação. O Fedora e o SuSE já usam prelink por padrão em algumas aplicações específicas.

DVD no Edgy Knot 2

Thursday, September 7th, 2006

Continuando a conquista do ambiente terrestre e cada vez menos dependente da água, vamos agora configurar um DVD no Edgy Knot 2.

O procedimento em parte continua o mesmo do Dapper: instalar o pacote libdvdread3. Mas a diferença para por aí. Depois de ter esse pacote instalado, é necessário rodar um script para baixar o libdvdcss2. O que de fato mudou foi o caminho desse script, o que não está documentado até então e erroneamente exibido no packages.ubuntu.com. Para concluir a instalação do ‘codec’ de DVD:

sudo /usr/share/doc/libdvdread3/install-css.sh

É importante que nenhum outro instalador como apt-get, aptitude ou Synaptic estejam em uso durante a execuçao do comando acima. E chazan, DVD pronto para rodar filmes :D

PPPoE no Edgy Eft Knot 2

Wednesday, September 6th, 2006

Salamandra

Cansado da estabilidade do Dapper, forrei minha cama com plástico e resolvi instalar o Edgy Eft na versão Knot 2. Trata-se de uma segunda prévia da próxima versão do Ubuntu, a ser lançada em meados de outubro. Como ainda falta um bocado para o lançamento, está longe do sistema estar pronto para uso, portanto, é brincar com fogo.

O primeiro fósforo que risquei foi tentando atualizar o Dapper para o Edgy. Me queimei. Este experimentos rendeu a comunidade 3 relatos de bug. As respostas foram muito rápidas. Um deles foi resolvido em menos de 6h. Mas eu já estava ansioso demais: acendi a fogueira e instalei o Edgy Eft Knot 2 do zero.

E cá estou, escrevendo este post para você. Mas nem tudo foi tão simples. Em menos de 1h de uso já dois erros inesperados aconteceram aqui e também os relatei. Portanto, friso aos aventureiros o devido cuidado para não fazer xixi na cama.

Mas eu diria que o pior problema foi a dificuldade de se configurar uma conexão ADSL com PPPoE. Ainda não está corrigido esse problema mas no Launchpad Andreas Simon nos tras uma solução. Eis ela:

Abra o Terminal ou equivalente e digite o seguinte comando:

sudo gedit /usr/sbin/pppoeconf

Desça até a linha 22 e adicione o símbolo # como primeiro caractere da linha. O mesmo para as linhas 23 e 24, ficando assim:

# elif [ -x /usr/bin/zenity ] ; then
# DIALOG=”zenity”
# X11=”-X”

O vilão do problema é o zenity, que geraria a interface de configuração do PPPoE se não estivesse defeituoso. Comentando estas linhas, estamos desabilitando o zenity e fazendo com que o Xdialog assuma essa função. E chazan, basta tentar rodar o sudo pppoeconf denovo e ele funcionará como no Dapper. O mesmo procedimento vale para o Edgy sendo rodado como LiveCD.

De resto, recomendo todo cuidado. Em caso de incêndio, os bombeiros podem não chegar a tempo.

Windows a Vista, Ubuntu a prazo

Sunday, August 27th, 2006

De acordo com recentes análises feitas pelo guru Open Source Eric Raymond, com os recorrentes atrasos do Windows Vista, criou-se uma janela de tempo onde o sistema operacional dominante no mercado pode mudar e todos os demais existentes podem ganhar ou perder fatias de usuários. Ainda segundo Raymond, essa janela se fechará em 2008 com a conclusão da migração do mercado da arquitetura 32-bits para 64-bits.

Os questionamentos levantados por ele são muito pertinentes. Já passou da hora do Linux deixar de estar recluso a alguns geeks e aventureiros e começar a conquistar o usuário leigo, que está pouco incomodado com questões filosóficas e de liberdade. Para ele é importante que o sistema funcione para as tarefas que ele quer, com os gadgets dele, com a webcam dele, o scanner que ele já tem e o mp3 player de preferência dele.

Se não conquistarmos essa fatia de usuário, que convenhamos é a maioria, o Linux não será muito diferente do que é: continuará no gueto. É essa preocupação com o usuário que usa o computador como ferramenta e não como finalidade que está faltando e nessa altura do campeonato, essa questão é mais importante do que questões de liberdade de software.

Com a chegada oficial do Windows Vista nas lojas e camelôs, a migração para o Linux e para o Ubuntu derá mais penosa pois perderemos muito terreno:

  • Deixaremos de ser a novidade, pois a novidade será o Windows Vista.
  • Deixaremos os detentores da segurança, pois o Windows Vista irá melhorar sua segurança.
  • Deixaremos de ser o mais bonitinho, pois o Windows Vista terá eye candy.
  • E a lista prossegue. O raciocínio do usuário de computador comum será bem lógico: ‘Por que romper com todos os softwares que tenho, toda a minha compatibilidade, minha webcam, meu scanner em troca de um sistema operacional Linux ? Se é para mudar, mudo para o Vista.‘ E vai ser difícil convencê-lo do contrário. Questões de liberdade ? Aqui se preza mais a liberdade de copiar um CD do Windows do que ter acesso ao código fonte.

    Eu sei, eu sei. Windows Vista é um monstro no quesito consumo de hardware e poucos computadores domésticos atuais poderão recebê-lo. Mas isso é uma doce ilusão. O mercado de computadores está extremamente aquecido. Em 2006, pela primeira vez a venda de computadores ‘de marca’ superou a venda de computadores ‘montados’ e as pessoas irão sim fazer upgrade. O que antes eram apenas os jogos 3D puxando para cima as especificações de hardware, agora o sistema operacional majoritário irá também induzir a aquisição de máquinas mais potentes.

    Enfim, mesmo que você não concorde com essas análises minhas e do Raymond, o que é inegável é que o Windows é o sistema majoritário no mundo e no Brasil e mesmo antes do lançamento do Vista o Império de Redmond está na nossa frente. Como o primeiro bug registrado do Ubuntu é o fato da Microsoft deter o monopólio do mercado, temos que aqui no Brasil planejar bem nossas ações de correção deste bug.

    Então, por uma questão de planejamento, desenterro um termo cunhado pelo nosso ex-presidente Juscelino Kubitschek, o ‘Plano de Metas‘. Como o Ubuntu lança versões semestralmente, nossa comunidade se renova semestralmente também. O que proponho é um Plano de Metas para cada lançamento. Tarefas a serem cumpridas, metas a serem atingidas até o dia do lançamento de uma dada versão.

    Seriam em maioria grandes metas, metas genéricas, conquistas em geral. Mas não estão excluídas as pequenas metas, a conclusão de pequenos projetos. Alguns exemplos ? Vejamos:

    Metas para o Edgy:

    - Realização da Festa de lançamento do Edgy em todo o país (assim como no Dapper).

    - Resguadar toda a documentação do Dapper enquanto durar o LTS (~ 3 anos).

    - Atualizar toda a documentação para o Edgy, exceto as cópias da documentação do Dapper. resguardadas.

    - Campanhas de conscientização quanto ao uso dos CDs do ShipIt.

    - Anúncio a imprensa especializada brasileira sobre o lançamento do Edgy.

    Metas para a versão posterior ao Edgy (Edgy+1):

    - Realização da Festa Edgy+1.

    - Massificação das camisetas do Ubuntu Brasil, seja por vendas, seja por ‘Faça você mesmo’.

    - Projeto AgenciaDeNoticas em pleno funcionamento.

    - Atualizar toda a documentação para o Edgy+1, exceto as cópias da documentação do Dapper resguardadas.

    - Material comparativo entre Ubuntu Edgy+1 e Windows Vista, com inspiração no www.whylinuxisbetter.net

    Metas para a versão posterior ao Edgy+1 (Edgy+2):

    - Encontro Nacional do Ubuntu Brasil

    E a lista segue. Esses itens foram levantados em reuniões informais com o pessoal do Time de Documentação. Alguns itens poderiam sair assim como muitos outros poderiam ser incluídos. O que gostaria de frisar é que quem faz essa lista somos todos nós da comunidade Ubuntu Brasil. O que apenas faço aqui é tentar estimular esse nosso hábito de planejamento pois, com o Windows a Vista, temos que pensar no Ubuntu a prazo.

    Você tem alguma idéia ? Alguma sugestão ? Os comentários desses post estão a sua disposição. Vamos pensar junto no nosso plano de ação do Ubuntu no Brasil !

    Conto com vocês,

    Kurt Kraut

    Compilando o pão que o diabo codou

    Friday, August 25th, 2006

    Pão que o diabo amassou

    Depois de ter feito chacota dos outros, agora sou eu que está refém do Windows e do Software Proprietário. Muitos devem ter sentido falta do nosso podcast. A falta de novos podcasts se deve a uma série de problemas técnicos irritantes, absurdos e estúpidos que a plataforma do Software Proprietário já aprendeu a resolver num estalar de dedos.

    Para os mais perdidos, o podcast que me refiro é o podcast Planeta Ubuntu Brasil, que nada mais é que um talk show, um programa de rádio sobre o Ubuntu em que as pessoas podem baixar e ouvir.

    Para esclarecer, o que estou tentando fazer é o seguinte:

    1) Preciso poder falar em tempo real com outros apresentadores e convidados do programa online através de uma conferência, semelhante ao que o Skype faz.

    2) Todos os apresentadores/convidados tem que ser ouvidos e poderem falar a qualquer hora

    3) Os ouvintes podem ouvir ao vivo o programa através de streaming de áudio.

    4) A capacidade de tocar arquivos de som/música e que todos os participantes e ouvintes ouçam.

    5) Um arquivo de áudio gravado para os ouvintes que perderam o programa possam ouvir depois.

    O que vou fazer com isso ? Um talk show com vários apresentadores espalhados pelo país e pelo mundo que irão conversar sobre o Linux e Ubuntu, tirando dúvidas enviadas por e-mail pelos ouvintes que estão acompanhando ao vivo o programa. Algo muito semelhante a um programa de rádio FM comum. Mas pasmem: praticamente não é possível fazer isso com Software Livre.

    Tanto que nas 2 primeiras edições do podcast tivemos que utilizar o Skype para reunir os participantes. Por quê ? Era o único que conseguia fazer isso com alta qualidade de som e baixo consumo de banda. Soluções livres como o Gizmo em conferência chegam a ter um desempenho infame, pior que walkie-talkie de camelô.

    Skype que por sua vez simplesmente se apodera do dispositivo de som impedindo o uso de qualquer outra aplicação multimídia ao mesmo tempo, como a retransmissão para ferramentas como o icecast. Falando no icecast, ele leva o Troféu Kraut de pior documentação. Se você pernambular a documentação própria dele ou de blogs e wikis pelo google, irá achar alguns arquivos XML de configuração para ele. Como disse bem o LedStyle, o icecast é o único programa que tem a capacidade de não funcionar quando você usa até uma configuração pronta, baixada da internet, feita e ‘aprovada’ por outra pessoa ou a padrão. É de no mínimo dar nos nervos.

    Eu e o LedStyle (autor da imagem deste post) passamos algumas horas hoje nos arriscando com o Flumotion, que aparentemente foi utilizado no FISL. É um sistema de tecnologia alienígena, ninguém entende aquilo. Muitas das instruções encontradas pela web citam arquivos e comando que sequer acompanham o pacote do Flumotion dos repositórios oficiais do Ubuntu. Além de fenômenos curiosos como o sistema tentar logar infinitamente sem dar mensagem de erro ou simplesmente aceitar qualquer login e senha.

    Enfim, é nessa sinuca de bico que estamos. Mal conseguimos uma aplicação livre para poder manter a comunicação entre os participantes do podcast muito menos algo que o retransmita ao vivo que funcione. O que dá vontade de cortar os pulsos é ver que as soluções em Software Proprietário para isso são praticamente out of the box. Dá para fazer tudo isso em menos de 30min no Windows.

    Tem valido mais a pena um dia de leão no Windows do que um ano de carneirinho no Linux. Se alguém conseguir resolver essa questão, terá nossa enorme gratidão e irá abrir o precedente para muitos projetos multimídia. Mas de ajudas do tipo ‘instale o software X‘ ou ‘use a ferramenta Y‘, obrigado, já estamos cheios, pois X e Y nunca funcionam e nem ninguém consegue funcionar.

    Portanto, ou algum gênio consegue sanar estas questões ou considerem o podcast do Planeta Ubuntu Brasil morto. Basta entrar em contato conosco por e-mail ou pelos comentários deste post. E é claro, um ponto negativo muito feio na minha caderneta do Software Livre. Vergonha, é o que sinto nessas ocasiões, vergonha.

    Abraços,

    Kurt Kraut

    Uma linda mulher, escargot e CDs do ShipIt.

    Thursday, August 17th, 2006

    Cena do filme 'Uma Linda Mulher'

    Eu fico muito chateado quando tropeço em fóruns, no IRC ou em lista de e-mails com usuários de banda larga que solicitaram os CDs gratuitos do ShipIt. Já me rotularam de mal humorado, carrancudo e até de troll por conta disso. Mas eu não posso tolerar a perpetuação do ‘de graça até injeção na testa’. Não é à toa que o TSE proibiu nestas eleições o uso de chaveiros, brindes e outros agrados gratuitos.

    O motivo deste post é um vídeo no YouTube de um indivíduo que destrói a machadadas os CDs do ShipIt, sem vergonha de demonstrar o prazer que sentia nisso. Ao ver o vídeo, tire as crianças da sala, tampe os olhos da sua avó pois a violência é explícita.

    Esse vídeo não é caso isolado. Já vi fotologs, blogs e outros relatos de pessoas dizendo coisas como ‘pedi para ver se era verdade. Agora que chegou meus 45 CDs, vou jogá-los fora.‘ ou ‘estava com preguiça de fazer o download da ISO‘.

    Esses CDs, na minha opinião, só deveriam ser remetidos para eventos, palestras e encontros. Dar um CD do Linux para alguém sem nenhuma explicação extensa ou acompanhamento me faz lembrar a clássica cena do filme ‘Uma Linda Mulher‘. Nele, servem à personagem interpretada por Julia Roberts um prato de escargot. Puseram na frente dela uma refeição exótica, incompreensível e complexa à primeira vista. E os resultados acidentados do filme podem se repetir nos computadores das vítimas que receberam os CDs dessa forma.

    Ao dar um CD do Linux ou do Ubuntu mesmo para alguém você tem que deixar esta pessoa ciente do que é o Software Livre, o que é o Linux, o que ela vai precisar para usar, por que é vantajoso para ela usar, quais os requisitos e como e onde obter ajuda.

    Pois, sem essas explicações, esses CDs gratuitos são interpretados da mesma forma como os epidêmicos CDs da UOL e AOL: material para recliclagem, lixo, freesbie, porta-copo, decoração de boate etc.

    Portanto, se você quer divulgar o Ubuntu de forma apelativa, sim, use os CDs do ShipIt seguindo os preceitos que eu disse acima. Agora se você já tem um amigo, primo, conhecido que já está ávido pelo Linux e irá impreterivelmente experimentar essa novidade, isso já é índio catequizado. Poupe os CDs do ShipIt e de a ele um CDR gravado.

    Estes CDs são patrocinados pela Canonical, empresa fundada com recursos do Mark Shuttleworth. O Mark mantém financeiramente, além de iniciativas do Software Livre, atividades de caridade. Cada dólar desperdiçado com um CD do ShipIt mal empregado, é um dólar que deixou de ser usado em favor do Linux. Ou pior, um dólar que deixou de ser usado em uma questão diretamente humanitária.

    Se você de fato precisa destes CDs, não tem conexão banda larga ou qualquer outro problema, recorra a página que criei para este fim: CDsNoBrasil. Nela estão indexadas por regiões e versões pessoas que têm estes CDs sobrando. Algumas delas mandam até por correio para você, muito mais rápido que os 2 meses de espera pelos CDs do ShipIt.

    Bom, esta aí o meu apelo. Espero poder contar com o bom senso de vocês.

    Linux e Direção

    Thursday, August 10th, 2006

    Cockpit de um carro

    Lembro-me muito bem do primeiro dia na auto escola. Sentei no banco do motorista e enquanto meu instrutor ia dando orientações gerais, eu ia varrendo o olhar no interior do carro checando as informações que ele ia passando. Depois de ter explicado alguns itens do painel, ele me deu instruções sobre a postura que eu deveria permanecer no carro e o que eu deveria fazer. Até que comecei a notar que:

  • Eu tinha apenas dois olhos, mas tinha que olhar para três espelhos
  • Eu tinha apenas duas pernas, mas tinha que pisar em três pedais.
  • Eu tinha apena duas mãos. mas tinha que segurar o volante com as duas e ainda passar a marcha.
  • Minha primeira conclusão: sou deficiente. Pois faltavam olhos, pernas e mãos para dirigir. Mas rapidamente me lembrei que muita gente dirigia e que se fosse tão difícil e caótico como parecia, não teria tanta gente conduzindo pelas ruas. Tomei coragem e comecei a dirigir. As aulas terminaram, fui aprovado no DETRAN e hoje dirijo perfeitamente, com uma destreza bem superior a minha primeira impressão sobre espelhos, pedais e volantes.

    Ao pousar no Linux e no Ubuntu pela primeira vez, talvez você terá a mesma sensação que tive diante do volante. Sensação de que faltava muito coisa para conduzir aquela máquina. Mas é uma questão de puro condicionamento. O Linux faz tudo que seu sistema operacional anterior fazia. Apenas os menus, botões e configurações se encontram em lugares diferentes, com nomes diferentes, mas nada além da sua capacidade de aprender.

    No início, se começa dirigindo ruim, deixando o carro morrer, pondo em risco outros veículos. Mas progressivamente se aprende a dirigir. Basta querer. Com o Linux é a mesma coisa. Portanto, se você vai experimentar o Ubuntu, coragem, insista. E se você já tem o Ubuntu instalado e ainda mantém o Windows em dual boot, tome coragem ! Remova o Windows ! Só se aprende a dirigir dirigindo.

    Lançado Dapper para Niagara (SPARC)

    Friday, June 16th, 2006

    Foto de um servidor T1000 com um processador UltraSPARC

    Fabio Massimo Di Nitto anunciou hoje o lançamento do Ubuntu Dapper Drake para servidores de arquitetura Niagara (processadores UltraSPARC de 64 bits com 4 a 8 núcleos). Esses pequenos servidores, de dimensões próximas a um aparelho de DVD, suportam até 32gb de RAM. O brinquedo custa a partir de U$2.995. É um grande passo para o nosso sistema no mundo corporativo e o Ubuntu para SPARC vem desmentir que trata-se é apenas uma distribuição para desktop. No mundo dos servidores, já começamos e muito bem.

    O Ubuntu para SPARC vem com todos os benefícios da versão para servidores, como instalação fácil do LAMP, e também outras novidades como melhor integração com clusters e SANs, gcc, glibc e kernel já otimizados para a arquitetura Niagara por padrão e detecção do hardware encontrados nesses servidores.

    Agora o que muda para você, usuário desktop, o lançamento do Ubuntu para servidores da Sun ? É bem simples: além de fortalecer a comunidade, teremos mais usuários profissionais, mais documentações irão surgir, mais gente se empenhará em relatar bugs, a Canonical terá uma arrecadação maior.

    Clientes corporativos são o que mais consomem suporte e a Canonical sobrevive prestando serviços de suporte e customização do Ubuntu. Como esta empresa contrata os principais desenvolvedores do Ubuntu, é provável que os novos clientes criados pelo uso dos servidores Niagara sustentem a contratação de mais desenvolvedores.

    As imagens já estão disponíveis para download em todos os mirrors do Ubuntu. Foi também disponibilizado um similar ao Netinstall do Debian, uma pequena imagem de CD que serve apenas para dar boot e baixar os demais pacotes.

    Uma idéia para migração

    Wednesday, June 14th, 2006

    Sem começo, sem meio e sem fim, surgiu uma idéia para migração na minha cabeça. Vejo muitas pessoas falando maravilhas do Ubuntu, que se pudessem migrariam, mas que dependem de 3 ou 4 aplicações do Windows e que não podem ainda migrar. Essas aplicações ou foram feitas por programadores contratados ou são impostas pela matriz da empresa, não funcionam bem no Wine e deixam vários desktops longe de mundo Linux. Se minha idéia funcionar, isso era uma limitação até agora.

    Passeando pela internet conheci o tímido SeamlesRDP. RDP é um protocolo nativo do Windows para acesso de desktop remoto. Faz exatamente o que o VNC faz e já no WIndows 2003 Server, vários usuários podem ter sessões diferentes no mesmo servidor, assim como faz o FreeNX no Linux.

    Mas a novidade é o SeamlessRDP. Ele é um cliente para Linux de RDP (dentre vários já existentes que até acompanham o Ubuntu) que em vez de exibir todo o desktop remoto, ele exibe apenas a janela de um programa. Bem similar ao que o comando ssh -X faz. E chazan, temos a peça que faltava !

    Nas empresas de perfil parecido com que expliquei anteriormente, os desktops poderiam ser migrados para o Linux com o SeamlessRDP instalado. Na rede local, um servidor Windows conteria os programas win32 que a empresa necessita. Então dentro do desktop Linux dos usuários, em pleno Gnome, KDE ou similar, através de um clique em um ícone, pode-se abrir um programa Windows que está rodando através do servidor remoto de forma transparente. Os usuários sequer vão notar que a aplicação está sendo rodada remotamente. Até a borda da janela será igual ao do Windows ! :P

    Depois de ter sorrido sozinho ao notar quantas portas esse modelo abriria, vi que ainda faltava uma peça fundamental: ainda havia Windows na rede. E pior, talvez envolvesse a aquisição de mais um CPU para rodar o Windows, o que criaria ‘custos’ a empresa, palavrinha que elas têm fobia.

    Mas nem tudo está perdido. Ainda nas garagens está sendo desenvolvido um sistema operacional que não é Linux e nem um aparentado que já foi discutido aqui no Planeta pelo Turicas. Chama-se ReactOS, um sistema livre que roda apĺicações e drivers feitos para Windows. Mais que isso, eles tentam imitar a interface e decisões de engenharia do sistema da Microsoft. Os desenvolvedores só pretendem tomar próprias decisões, fazer inovações em interface e dispositivos quando atingirem um grau extremo de semelhança com o Windows, em que o sistema seria confiável suficiente para suportar qualquer aplicação que se instala no Windows.

    Segundo site do sistema, se você trocar o Windows do computador da sua avó pelo ReactOS e ela além de não perceber a diferença ainda fizer tudo que fazia antes, o projeto atingiu seu objetivo. O desenvolvimento dele é bem integrado com Wine, até muitos desenvolvedores atuam simultaneamente nos dois projetos. Questionamentos sobre a ideologia do ReactOS a parte, trata-se de um sistema livre e isso tem seu mérito.

    Então, no modelo de migração que pensei, em vez de manter um servidor Windows rodando na rede e sustentando as aplicações da empresa, podemos ter o ReactOS na rede exercendo o mesmo papel e mantendo a empresa livre de sistemas operacionais proprietários. Resolvi me arriscar no Inkscape e esquematizar para quem ainda não entendeu:

    Organograma

    Se você se empolgou e já está fazendo o download do ReactOS, vá com calma. O sistema está em uma fase muito inicial de desenvolvimento. Na versão atual sequer suporte de rede há. Ele está previsto ainda para ese ano na versão 0.0.3. Conversei com os desenvolvedores do sistema no #ReactOS da Freenode e pernambulei o fórum do site oficial do sistema. Já existe muito interesse em desenvolver um servidor RDP para o ReactOS. Apesar de não haver prazos, podemos sim esperar para 2007 e 2008 um servidor RDP nesse sistema.

    E para por a cereja no sundae, que tal pensarmos no Edgy ? Cogita-se bastante integração com o Xen para a próxima versão do Ubuntu. Trata-se um sistema de paravirtualização que permite que vários sistemas operacionais sejam executados ao mesmo tempo no mesmo computador. Já existe uma versão adaptada do ReactOS para ser utilizada sobre o Xen. Agora junte você as peças. Deu para ver o cenário ? Em vez de comprar/destinar um CPU apenas para o ReactOS, é possível com um único computador rodar ao mesmo tempo Ubuntu e ReactOS e deixá-lo como servidor da rede, tanto para aplicações Linux como Apache, postfix etc como os programas Windows sustentados pelo ReactOS.

    Dá para inventar mais firula nesse modelo ? Claro ! Que tal LTSP nos desktops Linux ? Muitas empresas ainda trabalham com máquinas de 10 anos de idade. E se a empresa tiver verba para para comprar mais servidores ? LTSP+OpenMOSIX, um sonho de criança ! :P É melhor eu parar antes que eu sugira uma cafeteira USB…

    Abraços,

    KurtKraut

    Salamandra futurista

    Saturday, June 10th, 2006

    Foto de salamandra

    Um pouco mais de uma semana depois do lançamento do Dapper Drake, a comunidade Ubuntu começa a preparar o terreno para os primeiros passos da nossas salamandra, Edgy Eft, codinome da próxima versão do Ubuntu. O Edgy deverá ser lançado ainda em outubro desse ano, o que promove um ritmo acelerado de desenvolvimento.

    E esse ritmo já começa acelerado. Já foram colocados no ar os repositórios oficiais do Edgy, que servem apenas para estruturação, qualquer tentativa de atualizar para o Edgy no momento agora irá danificar o sistema. Mas só esse primeiro passo é uma demonstração que a produção da salamandra já está à todo vapor.

    O kernel que acompanhará o Edgy será o 2.6.17 e o compilador gcc 4.1. De resto, ainda é só especulação ou discussão. A comunidade pode sugerir e discutir recursos e mudanças para o Edgy em wikis destinados a isso. Lá, encontram-se das idéias mais brilhantes até as mais insanas.

    Muitas pessoas não perceberam que o Edgy terá menos tempo de desenvolvimento e estão atirando para todos os lados, querendo que o Edgy venha com tudo do mais novo e mais instável (diga-se de passagem). Uma dessas insanidades é querer que o Xgl seja o servidor X por padrão no lugar do X.org 7.1. Há nitidamente por parte de muitos uma confusâo entre evolução e revolução. Em 4 meses devemos evoluir, eleger poucas mais grandes metas e concentra-se nelas

    Mas minha intenção hoje é trazer para o Planeta algumas das sugestões que achei mais relevantes feitas pela comunidade. São elas:

    1) Janelas de boas-vindas.

    Após a instalação, o usuário seria recepcionado no sistema por uma janela de boas-vindas, listando de forma amistosa as documentações mais consultadas e relevantes logo após a instalação, como por exemplo, como fazer a internet funcionar e como habilitar os demais repositórios oficiais, com avisos sobre as questões legais e de SL envolvidas.

    2) Explicações sobre legislação e codecs.

    Com certeza o primeiro pensamento de um usuário novato que tenta tocar MP3 no Ubuntu é de que se trata de um ‘erro’ no sistema. Esse tipo de má impressão tem que ser combatida. Com isso, o sistema seria munido de textos explicando as questões legais dos codecs proprietários para sensibilizar o usuário sobre as limitações que o sistema tem ‘out of the box’.

    3) Integração com o Windows.

    A montagem automática desde o LiveCD até o sistema instalado das partições NTFS e FAT32 do WIndows com até integração do conteúdo, como por exemplo, a capacidade de importar os ‘favoritos’ do Internet Explorer do Windows para o Firefox do Ubuntu. Para o usuário que está ensaiando seu ingresso no mundo Linux esse tipo de recurso é importante, dá sustentabilidade a sua permanência no Ubuntu, tendo acesso ao seus arquivos e dados importantes para que cada vez menos sinta a necessidar de dar boot no Windows.

    4) Sistema de arquivos amigável.

    Eu odiaria ser obrigado a usar um sistema assim, mas sendo isso um recurso configurado por padrão, ajudaria muito o uso do Ubuntu por leigos. Atualmente nosso sistema de arquivos é uma sopa de letrinhas formando trincas incompreensíveis e assustadoras para o usuário: /usr /opt, /var etc. A idéia é ocultar por padrão pastas que o usuário dificilmente teria a necessidade de manipular e/ou apresentá-las com um nome mais inteligível e quem sabe, até traduzido em seu idioma local ?

    5) Níveis de experiência usuário.

    O sistema perguntaria ao usuário qual o nível de experiência do usuário, com duas ou três opções (ex.: inciante/intermediário/experiente) e eles seriam tratados de forma diferente. Para um usuário iniciante, o sistema mencionaria ‘Som’ em vez de ALSA ou ‘Tela de entrada’ em vez de GDM. Mas já que o sistema tem a ‘humanidade’ em mente, por que não humanizar ele por completo ? Pelo menos para mim dentro do Ubuntu falar em ‘Tela de Login’, fica claro que estamos falando do GDM e me habilitaria a falar o ‘dialeto’ dos usuários iniciantes que presto suporte.

    6) Reconhecimento de voz.

    Um dos dias que mais me diverti com um computador foi com um iMac e seu sistema de reconhcimento de voz. A máquina possuia um microfone embutido e ao ativar um programa, bastava você falar a palavra ‘browser’ não tão perto do microfone que o sistema abria uma janela de navegador. Mais que uma tecnologia assistiva, útil a deficientes, ela é um excelente aditivo a usabilidade do sistema. Além de teclado e mouse, teremos a voz para coordenador o computador e isso promove um acesso mais rápidos a programas e tarefas.

    7) Fim do X Torre de Babel.

    Um recurso que já existe na sessão de LiveCD do Dapper e que poderia ser incluso no sistema instalado do Edgy é o uso do driver VESA em última instância para o X. Caso o X não consiga utilizar os drivers da placa de vídeo ou tenha qualquer outra dificuldade, ao invés de entregar o usuário para o terminal piscante e abandoná-lo, iniciar o sistema com VESA permite pelo menos o acesso a interface gráfica e permitir que o usuário dê um grito de socorro na web.

    8) Uso do InitNG para o boot.

    Que tornaria o processo de boot, antes vergonhoso no Breezy, mais rápido que já é no Dapper. Além de ter otimizações por natureza, o InitNG toma decisões aparentemente melhores. No sistema de boot atual, qualquer serviço instalado (ex: apache, MySQL) será iniciado automaticamente no boot. Já no InitNG, você precisa expressamente dizer que um serviço instalado deve ser rodado no boot. Isso permite que o usuário tenha um controle claro do que deve iniciar ou não mas exigirá dele um engajamento maior na configuração do sistema para que funcione como desejado.

    9) Instalação madura.

    O Ubuntu trouxe muita gente para o mundo Linux e a fatia de usuários experientes usando o Ubuntu ou que ganharam experiência com ele vêm aumentando. Um dos motivos do CD de instalação até hoje não permtir a seleção de pacotes é porque o usuário não conheceria os programas, não faria sentido perguntar se ele quer instalar um programa chamado gdesklets por exemplo. Mas esse cenário tem mudado e acho que vale a pena atender o usuário experiente na instalação.

    Também outras sugestão é permitir os mais diversos meios de conexão durante a instalação, como PPPoE mesmo no ‘Alternate Install’, para que os pacotes extras sejam baixados no ato da instalação.

    No particionamento a idéia é, por padrão, manter o /home numa partição separada da raiz /, o que até hoje era tido como uma ‘configuração avançada’.

    Para melhor performance, o instalador optaria por um kernel otimizado para a arquitetura do processador, como o linux-image-k7 para alguns processadores AMD em vez do genérico linux-image-386.

    Por fim, imagens de CD traduzidas para os mais diversos idiomas, como o português. Assim, desde a telinha de boot do GRUB no CD de instalação até o sistema instalado, todo o processo seria em português.

    10) Multimídia para gente grande.

    Dentre as sugestões para essa área, as mais relevantes foram a definição do Listen como player de áudio padrão e o Diva para edição de vídeos. O Listen é um player voltado para Gnome, repleto de recursos, como exibição da letra da música, dados da wikipedia e integração com o last.fm. Já o Diva, é um editor ainda no início de seu desenvolvimento, longe de uma versão 1.0 mas tem uma usabilidade tremenda, talvez um dos melhores programas no questio interface e usabilidade já feitos no Linux. Deixa o Windows Movie Maker comendo pó. Não deixe de ver alguns screenshots e vídeos do Diva para entender do que estou falando.

    11) Impressão.

    É uma das áreas com menos sugestões. Poucas, mas boas. Desde impressora virtual para PDF instalada por padrão, o que permite que qualquer programa capaz de imprimir gere um PDF, até o desenvolvimento de ferramentas que tornem o compartilhamento de impressora com o Windows mais amigável.

    12) apt diversificado.

    Me impressionei com a sugestão do apt-torrent. Apesar de duvidar que se torne um método popular para baixar e instalar programas, ter essa carta na manga é interessante pois pode descentralizar o fluxo de pacotes quando os repositórios estiverem lentos ou fora do ar.

    O apt-build também poderia ser cogitado para integrar o melhor do mundo Debian, da instalação por pacotes, com os benefícios da compilação otimizada. Seria um meio termo interessante entre um sistema totalmente pré-compilado como o Debian e um totalmente compilado como o Gentoo. Ele seria útil para instalar pacotes pesados/lentos que atuam como gargalo na execução de tarefas e/ou na compilação de pacotes utilizados por muitos outros, como python, e portanto quanto melhor forem otimizados, mais programas serão beneficiados por esse aumento de velocidade.

    Por fim, uma das modificações que acho mais importante es e tivesse que eleger uma para o Edgy de todas essas que trouxe aqui, eu elegeria essa: 7zip para pacotes. O 7zip é um conjunto de algorítmos de compressão que são capazes de comprimir arquivos em tamanhos bem menores do que outras compactações mais comuns como gzip e bz2 utilizados atualmente nos pacotes .DEB.
    Em testes preliminares, um arquivo de 1612.5mb foi compactado nesses diferentes formatos. Veja os tamanhos finais desse arquivo comprimido:

    Gzip: 596.9mb e levou 02min25s para descompactar.
    Bzip2: 539Mb e levou 02min11s para descompactar.
    7zip (compressão padrão): 445.6mb e levou 06min35s para descompactar.
    7zip (compressão alta): 424.3mb e levou 06min29s para descompactar.
    7zip (compressão máxima): 423.2mb e levou 06min25s para descompactar.

    Se todos os pacotes .DEB do Ubuntu passassem a ser ser compactados por 7zip, o tempo de instalação do sistema e de pacotes em geral triplicaria. Mas pense no impacto do uso de 7zip em alguns pacotes de segurança ou correção de falhas.

    É extremamente importante que todos os usuários tenham o mais rápido possível estes arquivos, e compactando em 7zip tornaria-se muito mais fácil para o usuário de conexão discada ser contemplado com essas atualizações importantes, Isso tornaria o acesso as atualiações de segurança do Ubuntu mais democrática e eficiente.

    Sem esquecer, claro, que a compactação 7zip poderia ser utilizada no CD do Ubuntu. Essa taxa de compactação adicional de 24% a 27% de espaço daria muito espaço para que mais pacotes fossem incluídos por padrão no CD de instalação. Imagine o que seria então um DVD de pacotes do Ubuntu majoritariamente compactados em 7zip ? Seria a salvação dos usuários com conexão discada ou com máquinas sem qualquer conexão.

    Bem, são essas as discussões e sugestões mais relevantes para o Edgy na minha opnião. Vale frisar que são apenas sugestões e não metas de desenvolvimento. Nenhum dos itens acima descritos foram determinados como metas para o Ubuntu e não serão obrigatoriamente desenvolvidos. Mas boa parte deles muito provavelmente deve chegar a nossos computadores por volta de outubro deste ano.

    Abraços,

    KurtKraut

    Festa Dapper Rio de Janeiro - realizada.

    Monday, June 5th, 2006

    Foto dos participantes

    Essa é a galera que compareceu na Festa Dapper no Rio de Janeiro, excetuando o vantex que estava tirando a foto com meu celular que não é lá grandes coisa. Já estávamos na rua indo embora quando tiramos a foto. No padrão ocidental, estão: KurtKraut, Krysamon e sua esposa, estranho (sim, é o pseudônimo dele), AlexTelecentro e junix-br.

    Como a página contendo as instruções de como chegar (juntamente com o Planeta) ficaram fora do ar durante todo o fim de semana, muita gente que deixou de última hora para pegar o endereço acabou não indo, o que prejudicou a abrangência do nosso encontro mas não a qualidade. Questões muito relevantes foram levantadas em meio a alguns chopps e batatas fritas recém-plantadas (estranho que o diga).

    Foi o primeiro encontro de Ubuntu no Rio de Janeiro e será pontapé para os demais. Desse encontro por exemplo, junix-rj deu grandes idéias e sugestões para ajudar no nosso Install Fest ainda esse ano e o AlexTelecentro também se colocou a disposição para arregaçar as mangas. Então, estamos progredindo :P

    Também propus ao estranho e ao junix-rj que têm um envolvimento com o Debian-RJ para que atuassemos em conjunto (Debian e Ubuntu no Rio) para uma agenda de software livre. Que juntos fizéssemos palestras, campanhas e eventos de SL para promover a cultura livre.

    Ao invés de ficar caçando usuários e puxar sardinha para uma distribuição, vamos fazer a propagação da filosofia do Software Livre juntos e apresentar os dois sistemas como caminhos para o usuário escolher. Foram bastante receptivos com a idéia e já marquei na minha agenda a presença em um evento em Realengo no dia 24 deste mês.

    Mas o que pessoalmente me encantou foi uma evangelização inesperada que fiz. Cheguei no bar e pus os CDs do ShipIt do Breezy na mesa, abertos, em pé e bem visíveis para que fosse fácil localizar a mesa. Cheguei 30min mais cedo para poder recepcionar todos.

    Um rapaz na mesa ao lado ficou observando os CDs até que me abordou e perguntou do que se tratava. E descarreguei nele minha munição de idéias sobre software livre liberdade intelectual quando, para meu espanto, ele declara que já havia usado Linux, que era músico, e que no Paraná tinha feito parte de um grupo que se propunha a produzir músicas apenas com software livre.

    Aí o papo engrenou, até que chegaram os primeiros ubunteiros (ou ubuntistas ? Aceito sugestões). Dei atenção integral aos que compareceram e sequer tornei a falar com o rapaz da mesa ao lado. Mas fiquei muito feliz quando ele, de saída, veio se despedir de mim e me entregou um CD, um single com seu trabalho. ‘Vadeco e os astronautas’ era o título e eu acabara de conhecer o Vadeco :P (o mais próximo de camiseta listrada na foto abaixo).

    Voltei para casa ávido para ouvir o CD de duas faixas, com as canções ‘Tourada’ e ‘Condição’. São duas faixas de estilo bastante diferente, mas os arranjos e toda a finalização da música achei de bom gosto. Tenho ouvido todos os dias as duas faixas e entrou para meu seleto grupo de músicas cotidianas. Achei que o trabalho deles é apelativo sim, têm naipe para ser uma banda de abrangências nacionais e terem hits na TV e no rádio.

    Eu gastei bastante saliva tentanto incitar no Vadeco idéias de distribuição livre de músicas, de disponibilizar material online e etc quando para também meu espanto a banda disponibiliza músicas online pelo site Tramavirtual. Para checar detalhes da banda e ouvir músicas, basta clicar aqui.

    Acho que isso é tudo. Agradeço muito aos presentes, aos que tentaram ir mas não conseguiram (Turicas, Bruno Alves, Sérgio Lima) e a todos que pelo menos pensaram ir.

    Abraços,

    KurtKraut

    Festa Dapper Rio de Janeiro marcada !

    Tuesday, May 30th, 2006

    Aloha,

    Sim ! Temos a nossa festa Dapper marcada no Rio de Janeiro. Veja os dados:

    Data: 02/06/2006
    Hora: 19h BRST
    Local: Devassa Flamengo. Maiores detalhes em http://wiki.ubuntubrasil.org/FestaDapperRJ.

    Os locais a serem escolhidos são próximos ao metrô, perto de estacionamentos municipais e privados como também acessíveis por ônibus da zona norte, sul e oeste da cidade.

    Está no RIo de Janeiro ? Não perca a oportunidade de ter dois dedos de prosa em excelente compania sobre o Ubuntu Dapper. Compareça na data, hora e local escolhidos.


    Festa Dapper

    Tuesday, May 23rd, 2006

    Aloha,

    Isso mesmo que você leu. Festa de Lançamento do Dapper. Eu sempre faço questão de declarar que sou cervejetariano (= só bebo cerveja) e quase tudo se torna um bom motivo para reunir os amigos para uma confraternização regada a essa bebida miraculosa. Para os abstêmios, só o bom bate papo com refrigerante serve.

    E teremos dentro de pouco tempo um bom motivo para comemorar: o lançamento do Ubuntu Dapper. Minha sugestão que é cada um reuna em sua cidade e região os ubunteiros de coração para comemorarmos olançamento da nossa próxima versão. É uma boa oportunidade de conhecer pessoalmente quem já te salvou o coro na lista de e-mails ou quem jpa gargalhou contigo no IRC. Comecem aí os burburinhos para acharem pessoas nas mesmas cidades e vamos marcar um local de fácil acesso para a comemoração na semana do lançamento do Dapper.

    Infelizmente o dia primeiro de junho cai numa quinta-feira, mas é perto o suficiente do fim de semana para que todos estejam com agenda livre para se reunir. Tragam filhos, esposas, sogras e papagaios, vamos todos celebrar nossa alaranjada e novíssima versão !

    Ta aí a proposta. Os que gostam de festa (e de conhecer pessoas) está feito o convite.

    E já começaram as iniciativas de ’se encontrar’ pelo Brasil. Para os fluminenses, foi criado o endereço http://wiki.ubuntubrasil.org/FestaDapperRJ onde nossos ubunteiros próximos a capital do estado podem declarar-se interessados em participar para que seja marcado a hora, data e local.

    Abraços,

    KurtKraut


    Podcast #1 Planeta Ubuntu Brasil

    Sunday, May 7th, 2006

    Aloha,

    Finalmente ! Conseguimos de forma ainda muito artesanal gravar o primeiro podcast do Planeta Ubuntu Brasil. Reunimos alguns colunistas do Planeta e visitantes assíduos para discutir assuntos que andaram circulando o Planeta e na mídia especializada em Linux.

    A intenção é realizar esses podcasts com mais freqüência e com uma infra-estrutura melhor. Caso tenha sugestões, por favor, faça-as aqui. É muito importante para nós.
    As gravações desta conversa estão disponíveis nos formatos OGG e MP3 sob uma licença Creative Commons. Utilize os links abaixo para efetuar o download:

    Nos próximos podcasts dividiremos os blocos em pedaços menores, de cerca de 30min para facilitar o download.

    Em caso de dificuldade de download, consulta de licença e maiores informações, consulte http://wiki.ubuntubrasil.org/Planeta/PodCast. Este podcast foi gravada em 06/05/2006. Contamos com a participação de KurtKraut, OgMaciel, LedStyle e acris. Quer saber o que discutimos ? Eis a pauta:

    PRIMEIRO BLOCO

    • Apresentação

    • Kernel: Idéia do Andrew Mortom de interromper o desenvolvimento de novos recursos do kernel 2.6 para focar na correção de bugs.

    • Processador 64 bits: vale a pena ter um ?

    • Estamos de rabo preso com a Macromedia/Sun ? A dependência do usuário Linux de formatos como o SWF e soluções que a comunidade está sinalizando.

    • Será que estamos caindo no vício de ‘emular’ o Windows ao invés de simplesmente inovar ?

    • Participar não é aderir: como agir para a melhoria das alternativas em SL.

      • A importância de relatar bugs

      • Boicotes ao IE, Firefox e SWF

    • Mulheres no Ubuntu

      • Causas da pouca participação feminina.

      • Como mulheres encaram desafios: o Surfe e o Linux.

    • Usabilidade do Ubuntu

      • Será que quem diz que Linux TEM QUE ser complicado são espiões da Microsoft ? :P

      • Muitos usuários querem usar o computador como ferramenta, não como finalidade.

      • Quem deve instalar o Ubuntu ? Quem deve apenas usar o LiveCD ? Quem deve ficar com Dual Boot ? Perfis de usuários.

      • Dificuldades de configuração do PPPoE e ADSL no Ubuntu. O que poderia melhorar ?

      • Como o Software Livre permite uma alta diversidade e qualidade na solução de problemas.

      • Mini Install Fest & Cerveja.

    • Mulheres no Ubuntu 2

    • Como ajudar o Software Livre e o Ubuntu

      • Traduzir, relatar bugs, prestar suporte, distribuir CDs, criar material multimídia etc

      • Como colaborar sem sequer saber programar e a importância dessas contribuições.

      • Ensinar Linux também é aprender Linux.

      • Como ajudar a tradução sem sequer saber inglês.

      • OgMaciel mencionou http://planeta.ubuntubrasil.org/?post=603

      • A necessidade de formalizar as dúvidas freqüentes dos usuários em wikis, HowTos e similares.

      • Seja um embaixador do Ubuntu.

    • Encerramento

    • Erratas

      • KurtKraut: o problema que tive com netinstaller foi a falta de um browser de texto que me permitisse autenticar no site do meu provedor ADSL para que pudesse trafegar dados com a rede externa. O protocolo PPPoE em si é suportado no netinstaler.

    SEGUNDO BLOCO

    • Reapresentação

    • Brinquedinhos geeks

      • Canecas do Ubuntu e Firefox (linuxmall.com.br)

      • Bugingangas do FISL (Tux de pelúcia, brincos, colares, camisetas etc)

      • acris mencionou www.erro404.com.br

      • Iniciativa do selo metalizado para laptops com o símbolo do Ubuntu

      • OgMaciel mencionou http://www.cafepress.com/ubuntushop/

    • Voluntariado na comunidade Software Livre

    • Dúvidas comuns sobre o Ubuntu em eventos:

      • Incredulidade de que é totalmente gratuito.

      • Como é a compatibilidade com o Windows ?

      • Por que eu deveria usar Ubuntu ?

    • Migrando para o Ubuntu

      • O que é um LiveCD ?

      • Dual Boot: mantendo Windows e Ubuntu coexistindo em um mesmo computador.

      • Por que eu uso Ubuntu ?

      • Qualidades do Ubuntu para usuários domésticos e inclusão digital

    • Encerramento

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    Instalo Linux por cerveja

    Thursday, May 4th, 2006

    Na história da divulgação do Linux eventos como Install Fests foram fundamentais. Um punhado de geeks mais experientes se juntam em um local, data e hora para receber outros usuários mais inexperientes com seus CPUs ávidos para receberem uma distribuição Linux.

    Há algum tempo estou planejando um Install Fest e tem sido um pesadelo ajustar todos os detalhes. É difícil nos dias de hoje reunir pessoas numa mesma data, hora e local com uma finalidade. Mas, existe uma alternativa tão eficente quanto um grande Install Fest e muito mais fácil de realizar: um mini Install Fest.

    Dedique um dia de atenção aquele seu primo chato, estagiário mala ou qualquer pessoa mais digna interessada no Ubuntu com outros interessados em um mesmo local. Um grupo de até 10 pessoas é bastante gerenciável. Prepare no seu poderoso OpenOffice Impress uma apresentação explicando a filosofia do Software Livre e aspectos básicos do Ubuntu. Seja breve, não gaste mais de 1h para isso. Depois, abra um debate, dúvidas dos discípulos e sane as dúvidas mais comuns. Depois, escolha um felizardo, de preferência o mais experiente, e instale na frente de todos o Ubuntu na máquina dele, explicando tudo passo a passo, com todo o carinho. Explique por que tomou cada decisão, explique como funciona o particionamento etc.

    Enquanto os arquivos são copiados, é uma boa hora de atacar a geladeira ou fazer um segundo round da sessão de dúvidas/debate. Assim que todos os arquivos forem copiados e o Ubuntu estiver funcionando, explique aspectos gerais do sistema, do Gnome, como configurar internet etc. Depois que todos estiverem confortáveis com o Ubuntu, ligue os outros PCs e deixe que cada dono tente instalar por conta própria o Ubuntu no PC. Apenas dê orientações gerais, tire dúvidas e tente fazer com que um tire a dúvida do outro o máximo possível.

    Ë importante se empenhar pela autonomia desse grupo. Nesse dia divino você estará presente para tirar todas as dúvidas. Nos outros, dificilmente estará. Eles terão que resolver cada problema sozinhos e terão que buscar ajuda sozinhos. Portanto, cada dificuldade que encontrarem, ao invés de roubar o teclado e digitar comandos incompreensíveis, mostre a eles como obter ajuda, consultar wikis, fóruns, IRC etc. Apele para o senso crítico deles, a análise lógica. Por que você acha que deu erro ? E o que você acha que precisa para resolver ? São questionamentos importantes.

    No final de tudo, como ninguém é de ferro, encerre seu mini Install Fest com uma boa dose de cerveja. Se você realizou um bom trabalho, como forma de gratidão, seus discípulos irão bancar a sua cervejada :) Se essa idéia se propagar, não duvido que encontremos pelas esquinas geeks alcólatras carregando placas dizendo ‘Instalo Linux por cerveja’.

    Mas no final de tudo, ébrios ou sóbrios, todos terminarão o dia mais livres do que começaram.

    Abraços,

    KurtKraut