
Um pouco mais de uma semana depois do lançamento do Dapper Drake, a comunidade Ubuntu começa a preparar o terreno para os primeiros passos da nossas salamandra, Edgy Eft, codinome da próxima versão do Ubuntu. O Edgy deverá ser lançado ainda em outubro desse ano, o que promove um ritmo acelerado de desenvolvimento.
E esse ritmo já começa acelerado. Já foram colocados no ar os repositórios oficiais do Edgy, que servem apenas para estruturação, qualquer tentativa de atualizar para o Edgy no momento agora irá danificar o sistema. Mas só esse primeiro passo é uma demonstração que a produção da salamandra já está à todo vapor.
O kernel que acompanhará o Edgy será o 2.6.17 e o compilador gcc 4.1. De resto, ainda é só especulação ou discussão. A comunidade pode sugerir e discutir recursos e mudanças para o Edgy em wikis destinados a isso. Lá, encontram-se das idéias mais brilhantes até as mais insanas.
Muitas pessoas não perceberam que o Edgy terá menos tempo de desenvolvimento e estão atirando para todos os lados, querendo que o Edgy venha com tudo do mais novo e mais instável (diga-se de passagem). Uma dessas insanidades é querer que o Xgl seja o servidor X por padrão no lugar do X.org 7.1. Há nitidamente por parte de muitos uma confusâo entre evolução e revolução. Em 4 meses devemos evoluir, eleger poucas mais grandes metas e concentra-se nelas
Mas minha intenção hoje é trazer para o Planeta algumas das sugestões que achei mais relevantes feitas pela comunidade. São elas:
1) Janelas de boas-vindas.
Após a instalação, o usuário seria recepcionado no sistema por uma janela de boas-vindas, listando de forma amistosa as documentações mais consultadas e relevantes logo após a instalação, como por exemplo, como fazer a internet funcionar e como habilitar os demais repositórios oficiais, com avisos sobre as questões legais e de SL envolvidas.
2) Explicações sobre legislação e codecs.
Com certeza o primeiro pensamento de um usuário novato que tenta tocar MP3 no Ubuntu é de que se trata de um ‘erro’ no sistema. Esse tipo de má impressão tem que ser combatida. Com isso, o sistema seria munido de textos explicando as questões legais dos codecs proprietários para sensibilizar o usuário sobre as limitações que o sistema tem ‘out of the box’.
3) Integração com o Windows.
A montagem automática desde o LiveCD até o sistema instalado das partições NTFS e FAT32 do WIndows com até integração do conteúdo, como por exemplo, a capacidade de importar os ‘favoritos’ do Internet Explorer do Windows para o Firefox do Ubuntu. Para o usuário que está ensaiando seu ingresso no mundo Linux esse tipo de recurso é importante, dá sustentabilidade a sua permanência no Ubuntu, tendo acesso ao seus arquivos e dados importantes para que cada vez menos sinta a necessidar de dar boot no Windows.
4) Sistema de arquivos amigável.
Eu odiaria ser obrigado a usar um sistema assim, mas sendo isso um recurso configurado por padrão, ajudaria muito o uso do Ubuntu por leigos. Atualmente nosso sistema de arquivos é uma sopa de letrinhas formando trincas incompreensíveis e assustadoras para o usuário: /usr /opt, /var etc. A idéia é ocultar por padrão pastas que o usuário dificilmente teria a necessidade de manipular e/ou apresentá-las com um nome mais inteligível e quem sabe, até traduzido em seu idioma local ?
5) Níveis de experiência usuário.
O sistema perguntaria ao usuário qual o nível de experiência do usuário, com duas ou três opções (ex.: inciante/intermediário/experiente) e eles seriam tratados de forma diferente. Para um usuário iniciante, o sistema mencionaria ‘Som’ em vez de ALSA ou ‘Tela de entrada’ em vez de GDM. Mas já que o sistema tem a ‘humanidade’ em mente, por que não humanizar ele por completo ? Pelo menos para mim dentro do Ubuntu falar em ‘Tela de Login’, fica claro que estamos falando do GDM e me habilitaria a falar o ‘dialeto’ dos usuários iniciantes que presto suporte.
6) Reconhecimento de voz.
Um dos dias que mais me diverti com um computador foi com um iMac e seu sistema de reconhcimento de voz. A máquina possuia um microfone embutido e ao ativar um programa, bastava você falar a palavra ‘browser’ não tão perto do microfone que o sistema abria uma janela de navegador. Mais que uma tecnologia assistiva, útil a deficientes, ela é um excelente aditivo a usabilidade do sistema. Além de teclado e mouse, teremos a voz para coordenador o computador e isso promove um acesso mais rápidos a programas e tarefas.
7) Fim do X Torre de Babel.
Um recurso que já existe na sessão de LiveCD do Dapper e que poderia ser incluso no sistema instalado do Edgy é o uso do driver VESA em última instância para o X. Caso o X não consiga utilizar os drivers da placa de vídeo ou tenha qualquer outra dificuldade, ao invés de entregar o usuário para o terminal piscante e abandoná-lo, iniciar o sistema com VESA permite pelo menos o acesso a interface gráfica e permitir que o usuário dê um grito de socorro na web.
Uso do InitNG para o boot.
Que tornaria o processo de boot, antes vergonhoso no Breezy, mais rápido que já é no Dapper. Além de ter otimizações por natureza, o InitNG toma decisões aparentemente melhores. No sistema de boot atual, qualquer serviço instalado (ex: apache, MySQL) será iniciado automaticamente no boot. Já no InitNG, você precisa expressamente dizer que um serviço instalado deve ser rodado no boot. Isso permite que o usuário tenha um controle claro do que deve iniciar ou não mas exigirá dele um engajamento maior na configuração do sistema para que funcione como desejado.
9) Instalação madura.
O Ubuntu trouxe muita gente para o mundo Linux e a fatia de usuários experientes usando o Ubuntu ou que ganharam experiência com ele vêm aumentando. Um dos motivos do CD de instalação até hoje não permtir a seleção de pacotes é porque o usuário não conheceria os programas, não faria sentido perguntar se ele quer instalar um programa chamado gdesklets por exemplo. Mas esse cenário tem mudado e acho que vale a pena atender o usuário experiente na instalação.
Também outras sugestão é permitir os mais diversos meios de conexão durante a instalação, como PPPoE mesmo no ‘Alternate Install’, para que os pacotes extras sejam baixados no ato da instalação.
No particionamento a idéia é, por padrão, manter o /home numa partição separada da raiz /, o que até hoje era tido como uma ‘configuração avançada’.
Para melhor performance, o instalador optaria por um kernel otimizado para a arquitetura do processador, como o linux-image-k7 para alguns processadores AMD em vez do genérico linux-image-386.
Por fim, imagens de CD traduzidas para os mais diversos idiomas, como o português. Assim, desde a telinha de boot do GRUB no CD de instalação até o sistema instalado, todo o processo seria em português.
10) Multimídia para gente grande.
Dentre as sugestões para essa área, as mais relevantes foram a definição do Listen como player de áudio padrão e o Diva para edição de vídeos. O Listen é um player voltado para Gnome, repleto de recursos, como exibição da letra da música, dados da wikipedia e integração com o last.fm. Já o Diva, é um editor ainda no início de seu desenvolvimento, longe de uma versão 1.0 mas tem uma usabilidade tremenda, talvez um dos melhores programas no questio interface e usabilidade já feitos no Linux. Deixa o Windows Movie Maker comendo pó. Não deixe de ver alguns screenshots e vídeos do Diva para entender do que estou falando.
11) Impressão.
É uma das áreas com menos sugestões. Poucas, mas boas. Desde impressora virtual para PDF instalada por padrão, o que permite que qualquer programa capaz de imprimir gere um PDF, até o desenvolvimento de ferramentas que tornem o compartilhamento de impressora com o Windows mais amigável.
12) apt diversificado.
Me impressionei com a sugestão do apt-torrent. Apesar de duvidar que se torne um método popular para baixar e instalar programas, ter essa carta na manga é interessante pois pode descentralizar o fluxo de pacotes quando os repositórios estiverem lentos ou fora do ar.
O apt-build também poderia ser cogitado para integrar o melhor do mundo Debian, da instalação por pacotes, com os benefícios da compilação otimizada. Seria um meio termo interessante entre um sistema totalmente pré-compilado como o Debian e um totalmente compilado como o Gentoo. Ele seria útil para instalar pacotes pesados/lentos que atuam como gargalo na execução de tarefas e/ou na compilação de pacotes utilizados por muitos outros, como python, e portanto quanto melhor forem otimizados, mais programas serão beneficiados por esse aumento de velocidade.
Por fim, uma das modificações que acho mais importante es e tivesse que eleger uma para o Edgy de todas essas que trouxe aqui, eu elegeria essa: 7zip para pacotes. O 7zip é um conjunto de algorítmos de compressão que são capazes de comprimir arquivos em tamanhos bem menores do que outras compactações mais comuns como gzip e bz2 utilizados atualmente nos pacotes .DEB.
Em testes preliminares, um arquivo de 1612.5mb foi compactado nesses diferentes formatos. Veja os tamanhos finais desse arquivo comprimido:
Gzip: 596.9mb e levou 02min25s para descompactar.
Bzip2: 539Mb e levou 02min11s para descompactar.
7zip (compressão padrão): 445.6mb e levou 06min35s para descompactar.
7zip (compressão alta): 424.3mb e levou 06min29s para descompactar.
7zip (compressão máxima): 423.2mb e levou 06min25s para descompactar.
Se todos os pacotes .DEB do Ubuntu passassem a ser ser compactados por 7zip, o tempo de instalação do sistema e de pacotes em geral triplicaria. Mas pense no impacto do uso de 7zip em alguns pacotes de segurança ou correção de falhas.
É extremamente importante que todos os usuários tenham o mais rápido possível estes arquivos, e compactando em 7zip tornaria-se muito mais fácil para o usuário de conexão discada ser contemplado com essas atualizações importantes, Isso tornaria o acesso as atualiações de segurança do Ubuntu mais democrática e eficiente.
Sem esquecer, claro, que a compactação 7zip poderia ser utilizada no CD do Ubuntu. Essa taxa de compactação adicional de 24% a 27% de espaço daria muito espaço para que mais pacotes fossem incluídos por padrão no CD de instalação. Imagine o que seria então um DVD de pacotes do Ubuntu majoritariamente compactados em 7zip ? Seria a salvação dos usuários com conexão discada ou com máquinas sem qualquer conexão.
Bem, são essas as discussões e sugestões mais relevantes para o Edgy na minha opnião. Vale frisar que são apenas sugestões e não metas de desenvolvimento. Nenhum dos itens acima descritos foram determinados como metas para o Ubuntu e não serão obrigatoriamente desenvolvidos. Mas boa parte deles muito provavelmente deve chegar a nossos computadores por volta de outubro deste ano.
Abraços,
KurtKraut