Archive for the 'Ubuntu' Category

Inclusão Digital com Ubuntu (FAG.edu.br)

Saturday, February 18th, 2006

Está e uma das várias imagens disponíveis do projeto de Inclusão Digital da Faculdade Assis Gurgacz. Para divulgar o projeto, optei por fazer uma entrevista colaborativa. Convidei os usuários da Lista de Discussão do LoCoTeam Brasileiro para fazerem algumas perguntas sobre o projeto ao Daniel Kühl, um dos responsáveis pelo projeto.
OgMaciel: Sei que voces devem estar cansados de responder esta pergunta, mas… Qual é o objetivo deste projeto a curto e longo prazo?

Daniel
: O objetivo do projeto a curto prazo é levar às pessoas que não tem como ter um curso ou um acesso à internet. A longo prazo é incluir essas pessoas no mundo digital, para elas saberem como usar e o porque usar a tecnologia hoje disponivel e acessivel a elas.

lucasd: Como surgiu a idéia do ônibus com computadores?

Daniel: A idéia surgiu do Diretor Geral da faculdade, ele propôs a idéia e nós executamos em conjunto com outra empresa do mesmo grupo, a Eucatur, que cedeu toda a infraestrutura necessária (ônibus, motorista, móveis internos) bem como o acabamento e reforma dos ônibus, já a equipe de informática da Faculdade Assis Gurgacz (FAG) ficou responsável pela configuração e instalação dos computadores, redes e servidores, bem como sua manutenção.

lucasd
: Como foi a reação das pessoas ao conhecer o projeto?

Daniel
: As pessoas ficam encantadas, elas não acreditam que um projeto como esse era possível de ser feito, e quando informamos que o projeto é para a comunidade eles ficam mais espantados ainda.

Elton Lima: Como foi produzido o ônibus e como é feito a infraestrutura para a conexão e o acesso?

Daniel: O ônibus é de uma frota da empresa do mesmo grupo da FAG, a Eucatur, ela ficou encarregada de conseguir os onibus e prepara-los para receber toda a infraestrutura de redes. A conexão das estações com a internet é feita por meio de um Servidor IBM xSeries, que é conectado a internet por meio de ADSL, essa ADSL, foi feito um acordo com a Brasil Telecom de eles fornecerem a internet nos pontos onde o onibus é deslocado, geralmente em feiras de eventos e em escolas. Atualmente não existe restrição para o acesso a internet.

Magnus: quando ele começa a rodar o brasil?
Daniel: A princípio o projeto restringe-se a Cascavel /PR e a cidades da região.

Magnus: vao ser quantos onibus?

Daniel: Atualmente já estão prontos 4 ônibus, em 2006 serão feitos mais 8 onibus como esses, totalizando 12.

Elton Lima: Com a meta de realizar a inclusão digital, como é formado o auxilio dos profissionais para o auxilio e o acesso aos computadores, como é feito o controle de acessos?

Daniel: Os profissionais que fazem o auxílio e o acesso são estagiários do curso de Informática de faculdades da região. O controle de acesso interno ao onibus é feito da seguinte forma: na escolas, fica a direção encarregada de organizar turmas e horários, a prefeitura da cidade cede gentilmente um profissional responsável por ensinar às pessoas. Já quando está em feiras e/ou eventos, o acesso ao onibus é sem restrição, pois o onibus vai esses eventos somente para prover o acesso a internet aos interessados e para mostras mais sobre o projeto, não existe cursos nesses eventos.

MarioMeyer: Este é um projeto implementado apenas no Brasil? Ou vocês sabem de algum outro projeto similar em outro país?

Daniel: Sim, já ouvimos e vimos falar, em São Paulo existe um projeto nessa linha, não me lembro o nome.

Marcelo Mendes: Pelas fotos percebe-se que há muitas crianças, seria esse o público alvo (crianças)? Se sim, existe interesse posteriormente em expandir para atender a jovens e adultos?

Daniel: O público alvo são todas a idades, na ocasião das fotos uma turma de crianças estava utilizando a infraestrutura do onibus.

lucasd
: Quais os futuros planos para projeto? Vocês pretendem colocar mais ônibus, ou passar a circular em outras cidades e estados?

Daniel
: Sim, em 2005 foram feitos 4 onibus identicos para o projeto, em 2006 serão feitos mais 8 ônibus. Eles cicularão pela cidade de Cascavel/PR e cidades da região. Não existe planos para outros estados.

MarioMeyer: Se outras entidades e/ou pessoas estiverem interessadas em ajudar o seu projeto, como devem proceder?

Daniel: Atualmente esse projeto é feito em parceria com o Governo Federal, pelo Ministérios das Comunicações. Atualmente não há uma forma de contribuição, a não ser com sugestões para o projeto bem como sua divulgação.

MarioMeyer: Se outras entidades e/ou pessoas desejarem implementar projetos semelhantes, poderiam pedir ajuda à vocês? Este know-how pode ser compartilhado? Se sim, como devem proceder? Quem devem procurar?

Daniel: Sim, podem pedir. O projeto é para a comunidade. O know-how pode ser e será compartilhado, para pedir essa ajuda, e/ou mais informações sobre o projeto, pode-se entrar em contato com Odirlei Antonio, pelo email odirlei@fag.edu.br e daniel@fag.edu.br

Marcelo Mendes: Que tipo de abordagem é feita para divulgação do projeto nos locais por onde esse ônibus “livre” passa?

Daniel: Em escolas, a própria escola/direção fica encarregada disso. Em eventos, ele fica parado num local estratégico com banner explicativos, as pessoas interessadas podem entrar para conhecer.

KurtKraut: Por que vocês escolheram o Linux e por que dentre as distribuições Linux o Ubuntu foi utilizado ?

Daniel: Bem, fizemos uma comparação com preços de licenças MS Windows e o custo ficaria muito alto, por isso utlizamos o Linux. A distribuição escolhida foi a Ubuntu porque é uma distribuição que já vinha com os softwares que precisávamos além de ser um projeto promissor e com bastante suporte no site http://www.ubuntu.com

KurtKraut e Ubuntuser: É excelente a idéia de introduzir a informática para pessoas utilizando o Ubuntu. Mas provavelmente estas pessoas quando se depararem com um computador em outra oportunidade, muito provavelmente a plataforma será Windows. Como que vocês lidam com a questão e que tipo de orientação sobre esse assunto vocês passam aos alunos ?

Daniel: Existe esse “mito”, mas o melhor de tudo é que deparamos com pessoas (80%) que nem sequer fazem idéia do que é o “Windows”, e apresentamos a elas o Computador com um sistema operacional instalado, no caso, o Linux. Como as ferramentas utilizadas são de fácil aprendizagem e fazem o que tem que ser feito, não existe essa barreira do “Windows” para nós. Na verdades, estamos implantando já uma cultura Livre para essas pessoas, que quando utilizarem um computador com o Windows certamente perguntarão “Que sistema operacional é esse”?

OgMaciel: De que forma a comunidade Ubuntu Brasil poderia ajudar o projeto?

Daniel: A princípio não tem muito o que ser feito, mas ela pode ajudar enviando sugestões, para o email daniel@fag.edu.br

OgMaciel: Onde encontrar mais informações sobre o projeto?

Daniel: Estarei encaminhado um material completo para o Kurtkraut, ele poderá formatar elas se quiser. Essas informações estarão livremente disponiveis no site do projeto de vocês, que aliás, é uma iniciativa plauspivel! Parabéns.

Agradeço ao Daniel e a todos que participaram enviando perguntas.

Em resposta ao OgMaciel sobre a simplificação do GNOME

Tuesday, February 7th, 2006

Às vezes me irrito com pessoas na minha frente na fila de um fastfood qualquer. Aquelas que ficam olhando para as fotos ilustrativas e levam mais de 5 minutos para decidir o que comer enquanto meu estômago está sofrendo autodigestão.

A culpa não é delas. O problema que essas pessoas enfrentam é o mesmo que meus alunos em torno dos 18 anos enfrentam: escolher um entre centenas. Assim como existem uma infinidade de tipos de sanduíches e centenas de cursos universitários, o computador é uma caixinha de várias opções, decisões, YES, NO, OK, CANCEL, ABORT…

Tomar um decisão, escolher uma opção não é uma única escolha e sim várias. Por isso, digo aos meus alunos que não basta escolher a alternativa ‘B‘ como correta, mas a ‘A‘, a ‘C‘ e a ‘D‘ também devem ser escolhidas como erradas. Tem que haver um motivo para você não ter escolhido cada uma.

Ao entupir uma interface com opções - todas elas de igual importância - a dificuldade que o usuário sofrerá é a mesma dos exemplos anteriores. Leva um tempo para digerir todas as informações e isso diminui a curva de aprendizado, torna o uso do sistema irritante e teremos pessoas sofrendo de síndrome da abstinência do Windows.

Mas deve haver um limite. Sou adepto de sua sugestão OgMaciel. Quanto mais experiência temos, mais rápido e melhor podemos escolher o que queremos e o que não queremos. Se não permitirmos que o usuário usufrua do seu poder de decisão mais experiente, teremos um sistema que tem prazo de validade: funciona bem para os iniciantes mas assim que forem mais experientes, sentirão falta de mais recursos.

Deixemos que o usuário diga ao sistema o quanto ele pode decidir e o quanto de experiência tem para tomar cada decisão. Aí sim todo o esforço realizado por vários desenvolvedores não serão úteis apenas para a infância de quem nasce no mundo Linux.

Ubuntu versus Burocracia

Thursday, November 17th, 2005

Aloha,

Algumas pessoas têm relatado atrasos ou problemas fiscais com os CDs gratuitos do Ubuntu enviados do exterior. Como falei em uma postagem minha, o Brasil é o terceiro solicitador desses CDs e a Receita Federal ou entidade responsável deve estar estranhando esse volume de CDs.

Há um documento genérico da Canonical (em inglês) que pode ser enviado as autoridades que bloquearem a remessa de CDs. O documento explica o que são esses CDs, que eles são gratuitos e etc. Mas eu pensei em uma solução definitiva para qualquer bloqueio ou demora de remessas de CDs.

O raciocínio é simples: provavelmente é mais barato prensar estes CDs no Brasil e distribuí-los aqui mesmo do que prensá-los no exterior e despachá-los como a Canonical faz. Como CDs mais baratos significariam mais CDs disponíveis, seria interessante para todos, principalmente para a divulgação do Ubuntu no Brasil. Mais barato, mais rápido. Quer coisa melhor !? :P

Já enviei dois tímidos e-mails a duas empresas (VIDEOLAR.com.br e Microservice.com.br) que são as duas que conheço por atuarem na área de CDs prensados. Também em um inglês fraco, tentei passar a idéia para o pessoal do ShipIt do Ubuntu para ver o que acham da idéia. O que eu preciso é que mais pessoas ajudem a arquitetar melhor a idéia e a mandarem por sua conta e-mails para as empresas mostrando que distribuir CDs do Ubuntu no Brasil pode ser um contrato bastante rentável para eles.

Seria bom que trocássemos informações sobre esse assunto para que unifiquemos as ações sobre esse assunto. Acho que de início precisamos levantar quais empresas no Brasil prensam CDs, depois enviar e-mails para elas, entrar em contato, ver quais que se interessam. Depois discutir com a Canonical,. convencê-los da idéia e pedir para eles quanto custa cada CD enviado para o Brasil. Depois ver entre as empresas interessadas, qual que consegue ter a melhor oferta e apresentar todos os orçamentos para a Canonical. E então eles decidirão qual empresa irão cotnratar no Brasil.

E aí, o que acham ? Me ajudem nessa empreitada !

Abraços,

KurtKraut

Brasil é terceiro solicitador de CDs

Monday, November 14th, 2005

O Ubuntu pode ser solicitado gratuitamente através do site http://shipit.ubuntu.com - isso mesmo, você pede pela internet e chega na porta da sua casa sem qualquer custo.

Como o preço para mandar 1 CD é quase igual ao de mandar 50 CDs, eles pedem para que você peça uma quantidade maior do que precisa e divulgue entre seus colegas o Ubuntu. Prática essa que parece cair como uma luva para o jeitinho brasileiro.

O site http://fridge.ubuntu.com em um de seus blocos aleatóris à esquerda revela que o Brasil é o terceiro maior solicitante de CDs do Ubuntu. Eis a lista completa:

1. Estados Unidos
2. Espanha
3. Brasil
4. Chile
5. Alemanhã
6.

Descendo o pingüim da geladeira para o CPU

Sunday, November 13th, 2005

Aloha,

Pensei que fosse coisa de gringo, mas aqui no Brasil já vi mais de um pingüim decorativo enfeitando uma geladeira em cozinhas. O gozado é que só passei a ver depois da febre ‘Ana Maria Braga’ de simplesmente pendurar, grudar, fixar todos os tipos de pinduricalhos nas geladeiras. Vi uma, certa vez, que pensei que ao abrir a porta, de tanto ímã que tinha, dava para aproveitar a cinética da porta e fazer um gerador de energia elétrica…

Traumas de Física à parte, hoje no Brasil é crescente a saída do pingüim da geladeira para o PC. É festejado o uso cotidiano do Linux como uma saída econômica e tecnológica. Mas vamos com calma Juvenal, não é bem assim que a banda toca.

De fato o Ubuntu é promissor nessa área. Não faz sentido você trocar seu sistema operacional por um que te dê mais trabalho. Afinal, as pessoas querem usar o computador como ferramenta e não como finalidade. Se uma ferramenta dá mais trabalho, exige maior tempo de estudo para utilizá-la bem, não faz sentido adotá-la, por mais que ela seja livre, gratuita e de código aberto. O Ubuntu é uma boa ferramenta que visa dar menos trabalho ao seu usuário.

Mas isso é um caminho a ser trilhado, não um objetivo atingido. Por mais fácil que seja utilizar o Ubuntu, uma hora mais cedo ou mais tarde o usuário irá se deparar com uma telinha de terminal pedindo comandos e aí o mundo de maravilhas se desfaz. A diferença gritante é que, em um ambiente gráfico, por mais que não se saiba o que fazer, o usuário pode clicar aleatoriamente em uma das opções e pagar para ver no que dá. Por tentativa e erro, acaba-se chegando no resultado desejado. Agora em uma tela de terminal, onde você tem que digitar o comando, não há espaço para chute: você tem que saber exatamente o que está fazendo ou terá nenhum resultado.

Estou utilizando Ubuntu há algumas semanas e nesse curto período de tempo já tive que entrar na sala escura do terminal e ter que me virar com ele. Para mim, há dificuldade nenhuma, pois já sou calejado desde o MS-DOS. Agora para o usuário normal, isso é um bocado complicado.

Se você perguntar para um usuário de computador qual é o dispositivo que ele controla o computador a tendência dele (suponho eu) é te responder dizendo ‘mouse’. O mouse controla, manipula as imagens na tela e o teclado fica com a função acessória de por palavras na tela, a serem manipuladas inclusive pelo mouse. Portanto, esse vínculo com o terminal, esse controle da máquina pelo teclado está longe de ser intuitivo.

Mas para dar um refresco para o pingüim, nem tudo está perdido. Já se evoluiu muito e a meta do Ubuntu de publicar uma nova versão a cada 6 meses dá a sensação de que, por mais grave que seja seu problema, uma solução será dada a ele no máximo em 6 meses. Velocidade de desenvolvimento que nem os sistemas operacionais pagos conseguem. Minha primeira tentativa com o Linux foi em 1999 com o Red Hat. Infrutífera por sinal, pois ou as coisas funcionavam por elas mesmas ou não conseguia usá-las. Hoje, a documentação é tão ampla, o suporte é tão disseminado, que basta ser alfabetizado para conseguir sanar eventuais problemas com seu Ubuntu.

A tradução do Ubuntu para português não é uma das melhores, mas é mais do que suficiente para seu uso. Nas partes faltantes, o inglês furreca da escola serve muito bem. E na pior das hipóteses, quem poderá te defender ? Nós, do Ubuntu Brasil. Faz parte do nosso pensamento traduzir para o português do Brasil o maior conteúdo possível sobre o Ubuntu, para que ele seja mais acessível a todos.

De resto, falar do Ubuntu é como falar o quão maravilhoso é um sorvete de chocolate: você só entende do que se fala se experimentar por conta própria. Outras postagens desse planeta ensinam como instalar o Ubuntu ou ainda utilizar o LiveCD, um CD com o qual você tem a oportunidade de utilizar o Ubuntu sem instalar no seu computador. Gostaria de frisar que, ao utilizar o LiveCD, lembre-se que um CD-ROM é extremamente mais lento do que um disco rígido, portanto, não ache que no Ubuntu o mundo corre em slow-motion e sim é seu leitor de CD que não aprendeu a girar rápido o suficiente ainda ;P

Abraços,

KurtKraut